A expectativa é de que o acordo entre os dois blocos econômicos seja assinado neste sábado, em Assunção
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi aprovado, na última sexta-feira, pelo Conselho da UE após mais de 25 anos de negociações. A expectativa é que ele seja assinado neste sábado, em Assunção, no Paraguai.
A criação de uma zona de livre comércio envolvendo 700 milhões de pessoas traz oportunidades para o setor agroexportador do Brasil e também dos países vizinhos do Mercosul. Argentina, Paraguai e Uruguai traçam planos sobre os principais produtos que pretendem exportar para o Velho Continente.
Argentina
Na Argentina, o acordo entre União Europeia e Mercosul é visto como uma oportunidade para ampliar a presença de produtos agroindustriais no mercado europeu. Em documento divulgado após o aval do bloco europeu, a Sociedad Rural Argentina (SRA) afirma que o tratado pode beneficiar cadeias como carnes bovina, de frango e suína, além do complexo soja, vinhos, biocombustíveis e cultivos regionais, como frutas, mel e arroz.
A entidade destaca que parte relevante desse acesso ocorrerá por meio de cotas e de processos graduais de redução tarifária, o que indica impacto mais significativo no médio e longo prazo, com ganhos associados à previsibilidade regulatória e à atração de investimentos no setor agroindustrial.
“A partir deste acordo, os produtos argentinos poderão acessar um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, o que representa 20% do PIB mundial. Nesse sentido, a eliminação das tarifas por parte da União Europeia sobre 92% das exportações argentinas e o acesso preferencial para outros 7,5% desses embarques vão estimular o comércio, os investimentos e a geração de mais empregos em nosso país”, comemorou o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, em postagem na rede social X.
Uruguai
Em relatório elaborado em 2024, o governo uruguaio cita entre os principais produtos com potencial de expansão: celulose, carne bovina, arroz e oleaginosas como colza e carinata, além de nichos como lácteos, mel e carnes especiais. A avaliação é que o acordo pode reduzir custos de acesso e dar previsibilidade regulatória a cadeias que já têm presença consolidada no bloco.
O documento também indica oportunidade de ganho em produtos com maior valor agregado e perfil sustentável, especialmente aqueles ligados à base florestal, à rastreabilidade da carne bovina e à produção agrícola em conformidade com exigências ambientais europeias.
“O acordo é um passo muito importante para a abertura da economia do Uruguai, bem como para a modernização do Mercosul”, afirmou o ministro da Economia, Gabriel Oddone.
Paraguai
O Paraguai, que ocupa a presidência pro tempore do Mercosul, aposta no acordo com a União Europeia para ampliar a presença de sua pauta agroexportadora no mercado europeu, com destaque para carne bovina, carne de aves, milho, arroz, mel, etanol e óleos vegetais, além de açúcar orgânico.
A estratégia paraguaia combina acesso preferencial ao mercado europeu com custos logísticos competitivos e incentivos fiscais, posicionando o agro como eixo central da expansão comercial com a UE após a entrada em vigor do acordo.
“Nós alcançamos benefícios adicionais como a quota de 50 mil toneladas de açúcar, uma quota adicional de 15 mil toneladas de carne suína e uma quota especial que vai nos permitir incrementar a exportação de autopeças, entre outros benefícios”, ressaltou o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano.


