Segundo análise, temor de sanções já afeta o comportamento dos mercados
A crise política e social no Irã tem potencial para impactar diretamente o mercado internacional de fertilizantes, causando uma “alta inevitável” de preços caso haja, de fato, a queda do atual regime no país. Segundo análise da Scot Consultoria, há grandes chances de essa tarifa ser utilizada como instrumento de pressão política, mas o temor de sanções já afeta o comportamento dos mercados.
“Ou seja, se essas tarifas vingarem, se os Estados Unidos intervirem ou se o regime iraniano cair, podemos inevitavelmente esperar uma ureia mais cara no mercado internacional”, afirma a consultoria em nota.
As recentes manifestações populares e a repressão do regime iraniano aumentaram a tensão na região, levando o presidente dos Estados Unidos a anunciar, em 12 de janeiro, uma tarifa de 25% para qualquer país que mantenha negócios com o Irã. De acordo com a Scot, ainda não está claro se alimentos, antes isentos de sanções, serão incluídos, o que preocupa exportadores.
“Há grandes chances de que isso seja mais uma forma de pressão norte-americana do que algo que venha a ser efetivamente colocado em prática. Mas tende a deixar qualquer país com medo de negociar com eles, até pelo recente histórico do presidente estadunidense”, afirma o analista Lorenzo Cracco, que assina o boletim.
No contexto brasileiro, a Scot explica que o Irã respondeu por apenas 2,4% da ureia importada pelo Brasil em 2025, representando 184,7 mil toneladas, ou 0,5% do total de fertilizantes importados. Porém, por ser um grande produtor global e estar localizado em uma região estratégica, o Oriente Médio, qualquer risco de conflito pode elevar os preços do petróleo e de outras commodities, como a ureia.
Como exemplo, a consultoria menciona a escalada do conflito entre Israel e Irã no ano passado, quando o preço internacional da ureia chegou a subir 25%. “Neste momento, apenas o risco de intervenção já fez o preço da ureia granulada FOB no Oriente Médio, em preços futuros negociados em bolsa, subir 3,7%”, afirma a análise.


