sexta-feira, janeiro 23, 2026

Usinas de etanol de trigo criam nova demanda para cereal no RS

Usinas de etanol de trigo criam nova demanda para cereal no RS

Cultivado no inverno e historicamente marcado por dificuldades de comercialização, o trigo vive um momento de novas perspectivas no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional do cereal. Em um movimento que combina energia renovável, indústria e novos subprodutos, empreendimentos no Estado apostam no cereal como alternativa para diversificar mercados, valorizar o cultivo local, além de reduzir a dependência de produtos de outras regiões.

Um desses empreendimentos é o da CB Bioenergia, em Santiago (RS), que acaba de receber autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a operação e se tornou a primeira usina de etanol de trigo do país. A unidade, que demandou investimento de R$ 100 milhões, deve processar cerca de 100 toneladas de trigo por dia, o que irá gerar 40 mil litros de etanol.


Neta e filha de produtores de trigo, a diretora da empresa, Maria Eduarda Bonotto, afirma que a ideia surgiu a partir da dificuldade na hora de comercializar o cereal cultivado no inverno. “Chegava no final [na colheita] e a gente comercializava esse trigo com um preço muito irrisório, porque às vezes tem muitos descontos por qualidade. É diferente de outras commodities, como a soja”, diz.

Então, a família voltou os olhos para o que acontecia no Centro-Oeste do país, onde os problemas de comercialização do milho foram enfrentados com os investimentos em usinas de etanol do grão — o que representou uma valorização para o cereal de verão.

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Os Bonotto plantam cerca de 36 mil hectares de trigo. Inicialmente, é esse grão que será utilizado para processamento na usina, mas cargas de produtores da região deverão ser adquiridas no futuro.

Segundo Maria Eduarda, o trigo será avaliado pela quantidade de amido, de modo que poderá ser utilizado mesmo se tiver pH (peso hectolitro) inferior, garantindo uma alternativa ao produtor que não tem onde comercializar o grão de menor qualidade.

Uma tonelada de trigo produz cerca de 400 litros de etanol e 300 quilos de DDGS (grãos secos solúveis de destilaria, usados na alimentação animal). A usina também poderá trabalhar com outras culturas, tanto de inverno quanto de verão, que também contenham amido, como cevada, centeio, sorgo, triticale, milho e arroz, de acordo com a diretora da empresa .

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Sem competição

A CB Bioenergia irá produzir etanol hidratado, que pode ir para a bomba de etanol, mas a ideia da empresa é transformá-lo em álcool neutro, que é utilizado em cosméticos, bebidas e álcool em gel, por exemplo — diferente do anidro, que é misturado à gasolina.

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