A produção brasileira de algodão segue influenciada pelo andamento da semeadura da segunda safra, em um cenário marcado por ajustes de área e atenção à produtividade. Segundo relatório de janeiro da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a estimativa para a safra permanece em 3,7 milhões de toneladas, o mesmo volume projetado em dezembro.
Apesar da estabilidade mensal, o número representa uma queda de 11% em relação à safra 2024/25. A consultoria acompanha de perto a evolução da produtividade no campo, ao mesmo tempo em que avalia como compatível com o cenário atual da cultura a redução de 110 mil hectares na área cultivada no país. Esse recuo reflete decisões dos produtores diante das condições econômicas e agronômicas observadas ao longo do ciclo.
O plantio de algodão ganhou ritmo nos últimos dias, impulsionado principalmente pelo avanço da colheita da soja em Mato Grosso. A liberação das áreas tem permitido a intensificação da semeadura da segunda safra no estado, principal polo produtor do país. Embora o ritmo esteja mais acelerado em comparação ao ano anterior, ainda há registros pontuais de lentidão, associados à irregularidade das chuvas e aos atrasos nos estágios iniciais do ciclo da soja, fatores que interferem no calendário da cultura.
No quadro de oferta e demanda, o balanço mais recente não trouxe mudanças relevantes, além de ajustes técnicos nas casas decimais referentes aos embarques da safra passada. As estimativas de exportação para 2025 foram confirmadas, com embarques totais de 3,03 milhões de toneladas, volume que manteve o Brasil na liderança global das exportações de algodão. Para 2026, a consultoria projeta a continuidade de um mercado externo aquecido, com exportações próximas a 3,0 milhões de toneladas, reforçando a importância do desempenho da segunda safra para o equilíbrio do setor.