quinta-feira, janeiro 29, 2026

Com ajuda do clima, produção de azeite no Brasil deve ser recorde

Com ajuda do clima, produção de azeite no Brasil deve ser recorde

Entre produtores de azeite do Brasil impera um otimismo não visto há anos. Após duas safras consecutivas de quebras decorrentes do excesso de chuvas, o setor espera uma safra recorde, propiciada por clima adequado e pelo amadurecimento das árvores, que se tornam mais produtivas.

Acredito que esta será a melhor safra de azeitonas que o Brasil já teve, tanto no Rio Grande do Sul quanto na Mantiqueira”, afirma Bob Costa, que junto com a esposa, Bia Pereira, administra duas fazendas de onde sai o premiado azeite Sabiá, em Santo Antônio do Pinhal (SP), e em Encruzilhada do Sul (RS). “No Rio Grande do Sul, todas as árvores de todas as variedades estão muito carregadas. Nunca tinha visto isso”, conta.


Se em 2023 e 2024 foram registradas chuvas excessivas no Estado, que prejudicaram a polinização das flores e a quantidade de frutos, o mesmo não ocorreu na primavera passada. O Rio Grande do Sul também foi beneficiado pela maior média de horas de frio dos últimos 20 anos, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho. Por isso, a entidade vê “grande” probabilidade de safra recorde em 2026, acima das cerca de 6 mil toneladas produzidas em 2023, e dos 640 mil litros de azeite. Seria mais do que o dobro dos 240 mil litros do ano passado.

Bob Costa e Bia Pereira, fundadores do Azeite Sabiá — Foto: Mario Rodrigues Jr.
Bob Costa e Bia Pereira, fundadores do Azeite Sabiá — Foto: Mario Rodrigues Jr.

Em Viamão (RS), na Estância das Oliveiras, dona da marca homônima que é a terceira mais premiada no mundo, a expectativa é mais que dobrar a produção, para 15 mil litros de azeite extravirgem, em comparação aos 7 mil litros em 2025 e apenas 2,1 mil litros no ano anterior, conta o sócio diretor Rafael Sittoni Goelzer.

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Os proprietários do azeite Sabiá também esperam incrementos expressivos. Na propriedade gaúcha, a expectativa é colher 350 toneladas de azeitonas, mais que o dobro do ano passado, e produzir em torno de 35 mil litros de azeite, em comparação com 15 mil litros de 2025. Na fazenda paulista, a previsão é chegar a cerca de sete toneladas de fruto, em torno de mil litros de azeite. As chuvas das últimas semanas na Mantiqueira não devem comprometer a produção, ainda que posterguem a colheita, segundo Costa.

A produção brasileira, focada em azeites extravirgem premium, ainda atende parcela marginal da demanda nacional, em torno de 1%. Os 99% restantes vêm de grandes produtores europeus como Espanha, Portugal e Itália.

Por lá, a recuperação da produção em 2024 – após dois anos de perdas e valorizações da ordem de 50% inclusive no varejo brasileiro – trouxe os preços do produto para baixo no ano passado, condição que deve se manter em 2026, segundo Obino Filho. O acordo Mercosul-UE tampouco altera as condições de mercado, avalia ele, já que desde março do ano passado o governo brasileiro zerou tarifas de importação buscando conter a inflação.

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Para o médio prazo, o cenário de produção de azeites no Brasil se mostra promissor. Além da possibilidade de ampliar olivais, árvores plantadas há mais tempo devem se tornar mais produtivas. Enquanto uma oliveira de cinco anos produz cerca de cinco quilos de azeitonas por ano, uma de quinze anos rende de 30 a 35 quilos, segundo Goelzer. Tanto a Estância das Oliveiras como os donos do azeite Sabiá planejam chegar a 50 mil litros de azeite nos próximos anos.

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