sexta-feira, janeiro 30, 2026

Luz ultravioleta modulada reduz doença pós-colheita e amplia vida útil da goiaba, aponta estudo

Luz ultravioleta modulada reduz doença pós-colheita e amplia vida útil da goiaba, aponta estudo

Tratamento físico inovador controla a antracnose

Tratamento físico inovador controla a antracnose, principal causa de perdas na pós-colheita da fruta, sem uso de fungicidas químicos e com potencial de aplicação em escala comercial


Uma técnica baseada na aplicação controlada de luz ultravioleta do tipo C (UV-C) modulada pode representar um avanço significativo no manejo pós-colheita da goiaba, fruta amplamente produzida e consumida no Brasil. O equipamento inovador de aplicação de UVC modulado foi construído pelo pesquisador Washington Melo, da Embrapa Instrumentação, e o estudo publicado na revista científica Horticulturae demonstra que a modulação da frequência da radiação UV-C é capaz de reduzir a incidência e a severidade da antracnose, sem queimar a casca, além de retardar o amadurecimento e preservar a qualidade dos frutos durante o armazenamento.

Diante desse cenário, pesquisadores avaliaram a luz UV-C modulada como uma alternativa sustentável, não química e de baixo impacto ambiental para o controle do patógeno e a conservação da fruta após a colheita.

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De acordo com Itala Silva, doutoranda da Universidade Federal da Bahia (UFBA), nos ensaios laboratoriais, o fungo foi exposto a diferentes frequências de radiação UV-C. Os resultados mostraram que a modulação da luz teve efeito direto sobre o patógeno, inibindo o crescimento micelial e reduzindo a germinação dos esporos, estruturas responsáveis pela disseminação da doença.

A frequência em torno de 30 hertz apresentou o melhor desempenho, com forte redução da viabilidade do fungo. “A radiação interfere em processos celulares essenciais, como a integridade do DNA e a atividade metabólica, tornando o patógeno menos capaz de infectar o fruto”, explica Itala Silva.

“Ao modular a frequência, conseguimos aumentar a eficiência da luz UVC do controle do fungo sem elevar a dose total de radiação”, destaca a pesquisadora. “Isso reduz a dose e o risco de danos ao fruto e amplia a segurança do tratamento.”

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Além dos testes in vitro, a equipe aplicou a tecnologia em goiabas recém-colhidas, acompanhando o desenvolvimento da antracnose e a qualidade dos frutos durante o armazenamento. As goiabas tratadas apresentaram menor incidência e severidade da doença em comparação às frutas não tratadas.

“Esses indicadores são fundamentais do ponto de vista comercial, porque refletem maior vida útil e melhor aparência da fruta no ponto de venda”, observa Daniel Terao, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. “A manutenção da firmeza e da coloração sugere que a tecnologia pode ajudar a reduzir perdas durante transporte e armazenamento e aumentar o tempo de vida de prateleira da fruta.”

Durante até sete dias de armazenamento, não foram observados sintomas da doença e danos visuais ou alterações indesejáveis causadas pela radiação, reforçando o potencial da técnica para uso prático.

O estudo reforça o papel dos tratamentos físicos no manejo pós-colheita, especialmente em um contexto de transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis. Diferentemente dos fungicidas, a luz UV-C não deixa resíduos químicos, não gera efluentes e não contribui para o desenvolvimento de resistência nos patógenos.

“A UV-C modulada se destaca por ser uma ferramenta limpa, com potencial de fácil integração às linhas de beneficiamento”, aponta  Terao. “Ela pode complementar outro tratamento e reduzir a dependência de fungicidas no pós-colheita.”

Embora o uso da radiação UV-C convencional já tenha sido estudado em frutas e hortaliças, a modulação da frequência surge como um diferencial importante, pois permite maior eficiência com menor intensidade de luz, sem causar danos à epiderme da fruta, ampliando a margem de segurança do tratamento.

Além disso, a redução do uso de fungicidas atende às exigências de mercados que demandam produtos com menor carga de resíduos e produção alinhada a princípios da economia verde.

“O controle eficiente da antracnose sem o uso de produtos químicos é estratégico para ampliar a competitividade da goiaba em mercados mais exigentes”, ressaltam os pesquisadores .

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda são necessários testes em escala comercial, para ajustar parâmetros como tempo de exposição, distância da fonte de luz e adaptação dos equipamentos às rotinas de packing houses.

O estudo, no entanto, abre caminho para a aplicação da luz UV-C modulada não apenas em goiabas, mas também em outras frutas suscetíveis a doenças pós-colheita, consolidando a tecnologia como uma ferramenta promissora para a agricultura sustentável e inovadora.

O estudo completo, de Itala Silva, UFBA, Daniel Terao, Embrapa Meio Ambiente, Adriane Silva, Unicamp, Washington Melo, Embrapa Instrumentação, Juliana Fracarolli, Unicamp, Aline Maia, Embrapa Meio Ambiente, Ederlan Ferreira, UFBA, Aline Biasoto, Embrapa Meio Ambiente, está disponível aqui.

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