terça-feira, fevereiro 24, 2026

Colheita recorde e exportações fortes do algodão brasileiro

Colheita recorde e exportações fortes do algodão brasileiro

Plantio quase finalizado, safra recorde de algodão e exportações em alta no Brasil

Até 12 de fevereiro de 2026, 97,4% da área projetada para a nova safra já havia sido semeada no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Restam áreas pontuais a serem implantadas principalmente na Bahia (4%), Minas Gerais (10%), Piauí (8%) e Mato Grosso (2%). Em Mato Grosso, o ritmo de implantação do algodão de segunda safra ficou acima da média dos últimos cinco anos para o mês de janeiro, segundo dados do IMEA, dentro da janela considerada ideal. 


Beneficiamento confirma safra histórica 

Enquanto a nova safra avança no campo, o beneficiamento da colheita 2024/2025 entra na fase final. Até meados de fevereiro, 99% do volume colhido já havia passado pelas algodoeiras brasileiras, restando pequenas parcelas no Mato Grosso e na Bahia. 

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A produção estimada pela Abrapa é recorde, 4,25 milhões de toneladas de algodão, crescimento de 14,8% em relação à safra 2023/2024. O ganho veio tanto da expansão produtiva quanto do aumento da produtividade média, que atingiu 316,8 arrobas de algodão em caroço por hectare, alta de 3,6% frente ao ciclo anterior. 

Os números estão alinhados às projeções da Conab, que estima a produção de pluma da safra 2024/2025 em 4,076 milhões de toneladas, avanço de 10% sobre o volume da temporada 2023/2024. 

Exportações seguem fortes, com China na liderança 

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No comércio exterior, o algodão brasileiro mantém desempenho robusto. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o país exportou 1,722 milhão de toneladas, com receita de US$ 2,73 bilhões. A China liderou as compras neste período, importando 480,4 mil toneladas, o equivalente a 28% do total embarcado. 

Além da China, chamaram atenção os aumentos das exportações para a Índia e a Turquia, ambas com crescimento próximo de 80 mil toneladas no período. O Vietnã, por outro lado, reduziu significativamente suas compras, com queda de 154,8 mil toneladas no acumulado, configurando o principal destaque negativo. 

Estoques sobem e pressionam preços 

Mesmo com o crescimento das exportações, o avanço da produção mantém os estoques finais em patamar alto. Com produção estimada em 4,25 milhões de toneladas e embarques projetados em 3,2 milhões, os estoques ao fim de julho de 2025 devem alcançar 835 mil toneladas, alta de 65% em relação à safra passada. A relação estoque/uso deve subir de 14% para 21% até julho de 2026. 

Esse cenário tem impacto direto sobre os preços internos. Desde novembro de 2025, o indicador do Cepea vem sendo negociado próximo ao preço mínimo estipulado pelo governo federal, de R$ 114,58 por arroba de pluma. No Mato Grosso, principal polo produtor, os preços médios de janeiro de 2026 ficaram 5,7% abaixo desse patamar. 

Mercado internacional aponta maior oferta 

No cenário global, o relatório mensal divulgado em 10 de fevereiro de 2026 pelo USDA indica aumento da oferta mundial de algodão na safra 2025/2026. A produção global foi estimada em 26,10 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% frente ao ciclo anterior. 

Entre os principais produtores, o USDA projeta expansão significativa na China, no Brasil e na Índia, enquanto Austrália, Turquia e Estados Unidos devem registrar retração. O consumo global, por sua vez, foi estimado em 25,85 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do observado na safra passada. 

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