A possibilidade de tornar o pomelo menos amargo, característica que por décadas influenciou seu consumo e posicionamento frente a outras frutas cítricas, começa a ganhar forma com o uso de ferramentas biotecnológicas de edição genética. O avanço representa uma mudança no foco da inovação agrícola, que passa a priorizar não apenas produtividade, mas também qualidade sensorial, experiência do consumidor e adaptação mais precisa às demandas do mercado.
De acordo com a revista New Scientist, pesquisadores do Volcani Center, em Israel, utilizam a técnica CRISPR para atuar diretamente nos mecanismos responsáveis pelo sabor amargo da fruta. A proposta é eliminar compostos que determinam essa característica, ampliando o potencial de consumo e abrindo novas oportunidades para a indústria de cítricos. O projeto ainda está em fase experimental, mas busca modificar atributos organolépticos do pomelo sem comprometer suas propriedades nutricionais e agronômicas.
Diferentemente do melhoramento convencional, que exige longos ciclos de cruzamentos e seleção ao longo de várias gerações, a edição genética permite intervenções específicas no genoma vegetal. Esse processo reduz o tempo necessário para desenvolver novas características, mantendo a identidade da variedade original e ajustando pontos estratégicos para maior aceitação comercial.
O movimento acompanha uma tendência global de aplicação da biotecnologia na produção de alimentos, com foco em frutas mais duráveis, cultivos mais resilientes às mudanças climáticas e sistemas produtivos mais sustentáveis. Para o diretor executivo da ChileBio, a edição genética permite acelerar melhorias que antes levavam décadas, com base em conhecimento científico e precisão técnica. O caso do pomelo exemplifica como a ciência pode transformar limitações históricas em oportunidades para uma fruticultura mais diversificada e alinhada aos desafios ambientais e de segurança alimentar.