A análise também aponta forte concentração territorial dos recursos
O crédito rural segue no centro da estrutura econômica da agropecuária brasileira e ganha nova importância diante do avanço da agenda climática. Segundo artigo de Luis Eduardo Pacifici Rangel, membro do Conselho Científico do Agro Sustentável e ex-diretor de Análise Econômica e Políticas Públicas do MAPA, a sustentabilidade começa a entrar no sistema de financiamento, mas ainda de forma periférica.
As modalidades de custeio continuam dominando a oferta de crédito, enquanto linhas ligadas à sustentabilidade, como ABC+ e Renovagro, ainda têm participação reduzida. Na prática, isso indica que a agenda ambiental já foi incorporada formalmente, mas ainda não reorganiza a arquitetura do financiamento agrícola.
Segundo as simulações citadas no artigo, cerca de 45% do volume de crédito analisado poderia ser requalificado com condicionalidades ambientais progressivas, sem necessidade de ampliar orçamento ou criar novos instrumentos. A avaliação é que a transição sustentável tende a ser mais efetiva se atingir o núcleo do sistema, especialmente as linhas de custeio e financiamento amplo, incorporando critérios ambientais à elegibilidade e à precificação do crédito.


