Diferença ficou em US$ 2,1 bilhões em favor dos americanos, equivalente a 4,5 dias de exportações brasileiras
O Brasil esteve perto de superar os Estados Unidos no posto de maior exportador global de produtos agropecuários em 2025. Nesse período, o agronegócio brasileiro exportou um recorde de US$ 169,2 bilhões em produtos do setor, contra US$ 171,3 bilhões dos americanos.
Os números oficiais são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).
A diferença ficou em US$ 2,1 bilhões (1,2%) em favor dos estadunidenses, ou o equivalente a apenas 4,5 dias de exportações do Brasil. De acordo com o economista, o Brasil ainda vive uma tendência de crescimento, ao contrário dos Estados Unidos.
Líder em commodities
Para Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, o Brasil já é o líder em exportações de commodities agrícolas em geral. Segundo ele, as metodologias utilizadas pelo Usda e pelo Mdic são diferentes, e incluem um escopo maior de produtos na lista americana.
Sob o rótulo “Especialidades do Agro”, o órgão estadunidense conta alimentos preparados, além de vinhos, cervejas e produtos industrializados diversos.
Cogo cita também a análise publicada em 2025 pelo Insper Agro Global, com título “Brasil torna-se o maior exportador de commodities agro do mundo”, que chega à mesma conclusão.
“O Brasil segue crescendo, seja em algodão, carne suína e outros produtos. O que chama a atenção é o ritmo sustentado. Entre 2000 e 2024, nosso ritmo foi de 8,6% contra 5,3% dos americanos, que caíram nos últimos dois anos”, lembra.
Tarifaço
O Brasil alcançou o maior faturamento com exportações do agro em 2025, com alta de 3% em relação ao ano anterior.
Por exemplo, as políticas comerciais do governo de Donald Trump prejudicaram o comércio entre os dois países. Com 110 dias de “tarifaço”, as exportações do Brasil ao mercado dos Estados Unidos caíram de US$ 12,08 bilhões em 2024 para US$ 11,40 bilhões em 2025.
No total, uma redução de US$ 677,65 milhões ou queda de 5,6%. Isoladamente, esse montante não colocaria o Brasil na liderança, mas aproximaria ainda mais os resultados.
Histórico
A comparação entre Brasil e Estados Unidos nas exportações agrícolas segue uma tendência estrutural de mudança. Entre 2020 e 2025, a vantagem dos americanos caiu de US$ 50 bilhões para os atuais US$ 2,1 bilhões.
O histórico da Organização Mundial de Comércio (OMC) deixa o cenário ainda mais evidente. Em 2005, os Estados Unidos faturaram 137% mais do que o Brasil com exportações de produtos agrícolas, contra apenas 1,2% em 2025.
No topo?
O cenário geopolítico de 2026 pode favorecer a “ultrapassagem” do Brasil sobre os Estados Unidos no faturamento com exportações agropecuárias. Mendonça de Barros aponta a eclosão da guerra no Oriente Médio e a deterioração das relações entre Estados Unidos e China como os principais fatores.
“O Brasil mantém um relacionamento construtivo com a China e, também, com a Ásia em geral. Seguimos diversificando mercados, inclusive na Europa, com o recente Acordo Mercosul-União Europeia”, cita.
Já no caso dos Estados Unidos, as mesmas relações parecem cada vez mais difíceis, com interesses econômicos e geopolíticos contraditórios.
“Mais do que tudo, pesa o efeito da China. O acordo entre China e Estados Unidos para compra de 25 milhões de toneladas de grãos foi frustrado. Os dados mostram que a China comprou apenas 8 milhões”, revela.
O quadro, inclusive, poderia forçar a agricultura americana a diminuir a concorrência no mercado internacional.
“Existe pressão pelo aumento dos mandatos de biocombustíveis. Nossa hipótese é que se voltem mais para o mercado doméstico para dar destino aos grãos”, finaliza.
Já para o representante do Mapa, a abertura de 548 mercados nos últimos três anos reforça a tendência.
“Dos mais de 550 mercados abertos nos últimos três anos, ao menos 200 já estão importando. Isso tende a aumentar as nossas exportações do agro”, finaliza Rua.
