segunda-feira, março 30, 2026

Como o Brasil ficou a um passo de ultrapassar os EUA como maior exportador do agro

Como o Brasil ficou a um passo de ultrapassar os EUA como maior exportador do agro

O Brasil esteve perto de superar os Estados Unidos no posto de maior exportador global de produtos agropecuários em 2025. Nesse período, o agronegócio brasileiro exportou um recorde de US$ 169,2 bilhões em produtos do setor, contra US$ 171,3 bilhões dos americanos.

Os números oficiais são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).


A diferença ficou em US$ 2,1 bilhões (1,2%) em favor dos estadunidenses, ou o equivalente a apenas 4,5 dias de exportações do Brasil. De acordo com o economista, o Brasil ainda vive uma tendência de crescimento, ao contrário dos Estados Unidos.

Líder em commodities

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Para Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, o Brasil já é o líder em exportações de commodities agrícolas em geral. Segundo ele, as metodologias utilizadas pelo Usda e pelo Mdic são diferentes, e incluem um escopo maior de produtos na lista americana.

Sob o rótulo “Especialidades do Agro”, o órgão estadunidense conta alimentos preparados, além de vinhos, cervejas e produtos industrializados diversos.

“Quando as matrizes são iguais, o Brasil já lideraria desde 2024, ao menos em commodities. O mais importante, no entanto, é a tendência. Muito em breve vamos assumir a liderança independente da metodologia utilizada”, afirma.

Cogo cita também a análise publicada em 2025 pelo Insper Agro Global, com título “Brasil torna-se o maior exportador de commodities agro do mundo”, que chega à mesma conclusão.

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“O Brasil segue crescendo, seja em algodãocarne suína e outros produtos. O que chama a atenção é o ritmo sustentado. Entre 2000 e 2024, nosso ritmo foi de 8,6% contra 5,3% dos americanos, que caíram nos últimos dois anos”, lembra.

Tarifaço

O Brasil alcançou o maior faturamento com exportações do agro em 2025, com alta de 3% em relação ao ano anterior.

Por exemplo, as políticas comerciais do governo de Donald Trump prejudicaram o comércio entre os dois países. Com 110 dias de “tarifaço”, as exportações do Brasil ao mercado dos Estados Unidos caíram de US$ 12,08 bilhões em 2024 para US$ 11,40 bilhões em 2025.

No total, uma redução de US$ 677,65 milhões ou queda de 5,6%. Isoladamente, esse montante não colocaria o Brasil na liderança, mas aproximaria ainda mais os resultados.

Histórico

A comparação entre Brasil e Estados Unidos nas exportações agrícolas segue uma tendência estrutural de mudança. Entre 2020 e 2025, a vantagem dos americanos caiu de US$ 50 bilhões para os atuais US$ 2,1 bilhões.

“A agricultura americana é madura, tocada por produtores mais velhos, e tem sofrido com a competição estratégica com a China, especialmente durante o governo Trump”, argumenta Mendonça de Barros.

O histórico da Organização Mundial de Comércio (OMC) deixa o cenário ainda mais evidente. Em 2005, os Estados Unidos faturaram 137% mais do que o Brasil com exportações de produtos agrícolas, contra apenas 1,2% em 2025.

No topo?

O cenário geopolítico de 2026 pode favorecer a “ultrapassagem” do Brasil sobre os Estados Unidos no faturamento com exportações agropecuárias. Mendonça de Barros aponta a eclosão da guerra no Oriente Médio e a deterioração das relações entre Estados Unidos e China como os principais fatores.

“O Brasil mantém um relacionamento construtivo com a China e, também, com a Ásia em geral. Seguimos diversificando mercados, inclusive na Europa, com o recente Acordo Mercosul-União Europeia”, cita.

Já no caso dos Estados Unidos, as mesmas relações parecem cada vez mais difíceis, com interesses econômicos e geopolíticos contraditórios.

“Mais do que tudo, pesa o efeito da China. O acordo entre China e Estados Unidos para compra de 25 milhões de toneladas de grãos foi frustrado. Os dados mostram que a China comprou apenas 8 milhões”, revela.

O quadro, inclusive, poderia forçar a agricultura americana a diminuir a concorrência no mercado internacional.

“Existe pressão pelo aumento dos mandatos de biocombustíveis. Nossa hipótese é que se voltem mais para o mercado doméstico para dar destino aos grãos”, finaliza.

Já para o representante do Mapa, a abertura de 548 mercados nos últimos três anos reforça a tendência.

“Dos mais de 550 mercados abertos nos últimos três anos, ao menos 200 já estão importando. Isso tende a aumentar as nossas exportações do agro”, finaliza Rua.

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