Demanda aquecida e derivados sustentam cotações no Brasil
A soja segue com preços firmes no Brasil, mesmo diante de uma safra recorde estimada em 180 milhões de toneladas. O movimento é sustentado pelas demandas interna e externa aquecidas, pelo avanço das cotações dos derivados e por fatores internacionais que ampliam a atratividade do biodiesel.
No mercado internacional, de acordo com levantamento do Cepea, o conflito no Oriente Médio e a consequente valorização do petróleo reforçam o movimento de alta no Brasil. Esse cenário aumenta a atratividade do biodiesel e, por consequência, impulsiona a demanda por óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.
No campo, a colheita brasileira de soja alcançou 92,1% da área, segundo dados divulgados pela Conab. Apesar do avanço nacional, persistem diferenças regionais relevantes, especialmente no Sul do país. Em Santa Catarina, os trabalhos chegaram a 71% da área. No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 65%. Em ambos os estados, o ritmo está abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Na Argentina, chuvas pontuais nas principais regiões produtoras interrompem temporariamente a colheita e mantêm o ritmo irregular. O fator climático segue no radar do mercado, por afetar a oferta disponível no curto prazo. Nos Estados Unidos, a recente chuva no Meio-Oeste trouxe alívio climático, mas também limitou temporariamente as atividades de campo. Ainda assim, a semeadura da soja atingiu 23% da área projetada para a safra 2026/27 até 26 de abril, superando o ano passado e a média dos últimos cinco anos.
A valorização do petróleo, associada ao cenário de tensão no Oriente Médio, fortalece a competitividade do biodiesel no mercado internacional. Como o óleo de soja é a principal matéria-prima do biocombustível, a demanda pelo derivado ganha peso na formação dos preços da oleaginosa. Com isso, mesmo diante de uma safra volumosa no Brasil, o mercado encontra sustentação em fatores que vão além da produção agrícola. A evolução da colheita, o comportamento das exportações, o consumo interno e o mercado de energia devem seguir como pontos decisivos para as cotações.
