El Niño poderá influenciar projeção da safra 2026/27
A possibilidade de atuação do fenôeno El Niño durante o início do ciclo da soja em Mato Grosso já influencia as projeções para a safra 2026/27. Segundo boletim divulgado na segunda-feira (4) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, a combinação entre risco climático, custos elevados e crédito mais restrito deve impactar a produção da oleaginosa no estado.
Além das incertezas climáticas, o instituto aponta pressão sobre as margens dos produtores em razão do aumento dos custos de produção, impulsionados principalmente pelos preços de diesel e fertilizantes. Nesse cenário, a área plantada deve crescer de forma mais moderada, alcançando 13,04 milhões de hectares, alta de 0,25%.
Apesar da retração prevista, Mato Grosso deve manter um dos maiores volumes de produção do país. O relatório destaca que o estado segue em posição estratégica para a oferta nacional de soja, mesmo diante de um ambiente considerado mais desafiador para o setor.
As projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária foram elaboradas com base em previsões da National Oceanic and Atmospheric Administration, que apontam probabilidade de 80% para a ocorrência do El Niño durante o primeiro trimestre de desenvolvimento da cultura.
“O que mais chama atenção neste primeiro levantamento é justamente o fator climático. Com uma probabilidade elevada de El Niño, a tendência é de maior irregularidade das chuvas no início do ciclo, o que pode impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras”, afirma.
De acordo com Rodrigo Silva, o risco climático já foi incorporado nas estimativas iniciais do instituto, resultando em uma projeção mais conservadora para a produtividade da soja.
“Esse contexto se traduz na projeção de rendimento médio de 62,44 sacas por hectare, uma queda de 5,43% em relação à safra anterior. Com isso, a produção foi estimada em 48,88 milhões de toneladas, um recuo de 5,19%. Ou seja, movimento diretamente influenciado pelo risco climático associado ao El Niño”, destacou o coordenador do Imea.
