Minas Gerais concentra 50% do café brasileiro
A safra recorde de café prevista para 2026 em Minas Gerais ocorre em meio a um cenário climático que amplia a preocupação com os ciclos seguintes da produção. Segundo Tatiane Oliveira, especialista em logística e gestão operacional, o avanço do aquecimento e a irregularidade climática indicam que o resultado positivo da próxima colheita antecede impactos mais severos, especialmente sobre a safra de 2027.
A leitura do quadro, porém, aponta para um risco climático acumulado. O El Niño previsto para o segundo semestre não deve atingir diretamente a safra de 2026, mas pode afetar a produção de 2027. A irregularidade já observada no Sul de Minas no início do ano reforça a atenção sobre o próximo ciclo da cafeicultura.
A pesquisadora Ana Paula Cunha, do Cemaden, documenta tendência de aquecimento contínuo no Jequitinhonha há pelo menos seis décadas, associada ao aquecimento global e à degradação da vegetação nativa. A mesorregião Norte integra o semiárido brasileiro, área que dobrou no estado em cinco anos, segundo a Assembleia Legislativa estadual. Gameleiras, Espinosa e Mamonas já atingiram clima árido.
