quarta-feira, junho 3, 2026

Entenda por que as maçãs desta safra estão mais doces

Entenda por que as maçãs desta safra estão mais doces

A safra brasileira de maçãs Fuji deste ano vem chamando a atenção por uma característica pouco comum nos pomares: o chamado “pingo de mel”, pequenas áreas amareladas e extremamente doces no interior das frutas. Resultado de condições climáticas especialmente favoráveis durante a maturação, o fenômeno indica maçãs com maior concentração natural de açúcares, sabor mais intenso e textura mais suculenta.

Visualmente, o pingo de mel aparece como áreas translúcidas na polpa próximas ao miolo da fruta. Isso é consequência de um acúmulo natural de açúcares que ocorre especialmente nas maçãs Fuji em anos em que a colheita é mais tardia e quando baixas temperaturas atingem as macieiras.


Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Moisés Lopes de Albuquerque, a maior incidência de pingo de mel nesta safra, que se encerra entre maio e junho, está relacionada às condições registradas sobretudo durante a fase final de maturação das frutas.

“Tivemos um ciclo mais alongado, com colheita ocorrendo de forma mais tardia e sob temperaturas mais baixas, favorecendo o acúmulo natural de açúcares na polpa, o que contribuiu para uma presença mais expressiva do pingo de mel nesta safra. O resultado são maçãs com sabor mais intenso, maior doçura bem equilibrada pela acidez natural da fruta e excelente qualidade sensorial”, afirma.

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A característica é especialmente apreciada no Japão, país de origem da variedade Fuji. Em diversos mercados asiáticos, maçãs com pingo de mel são associadas a frutas premium e frequentemente alcançam maior valorização comercial em razão do sabor mais intenso.

Já no Brasil, ainda não existe uma procura específica por essa maçã especial no mercado. Pelo contrário, a preocupação do setor é alertar os consumidores de que não existe nada errado com a fruta.

“Em 2017, tivemos uma safra recorde em condições parecidas com a atual, quando houve muita formação do pingo de mel. E muitos compradores, inclusive supermercados, reclamavam dessas diferenças, dizendo que eram danos de congelamento ou transporte. Tivemos que fazer um forte trabalho de esclarecimento”, lembra Francisco Schio, presidente da ABPM e proprietário da Agropecuária Schio, de Vacaria (RS), que cultiva 3,3 mil hectares de pomares de maçã.

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Francisco Schio, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM)  — Foto: ABPM/Divulgação
Francisco Schio, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) — Foto: ABPM/Divulgação

Conforme estimativa da ABPM, em 2026, a safra brasileira de maçã, concentrada em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, deve ficar entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de toneladas, cerca de 40% mais que as 850 mil toneladas registradas no ciclo anterior. O número inclui todas as variedades de maçã produzidas no Brasil, entre elas Fuji e Gala.

Segundo Schio, esse alongamento da colheita é o fator preponderante para a presença de maçãs com pingo de mel no mercado. “Se todo ano nós deixássemos uma parte do pomar para colher mais tarde, isso iria ocorrer. Mas o produtor não quer enfrentar riscos climáticos, como granizo destruindo as frutas, então procura fazer a colheita o mais rápido possível. Por isso só temos o pingo de mel em grande quantidade em anos com alta produção”, explica.

Embora o acúmulo de açúcar ocorra dentro da polpa, produtores experientes conseguem “adivinhar” quais frutas terão o pingo de mel. “Existem diferenças bastante sutis na coloração da maçã, como se estivesse no fundo um rajado entre vermelho e amarelo”, afirma Mariozan Corrêa, que possui 14 hectares de pomares em São Joaquim (SC).

Nesta safra, Corrêa colheu 800 toneladas de maçã, 25% a mais do que no ano passado. Da produção, 50% é da variedade Gala. Dos 50% restantes de Fuji, ele acredita que o pingo de mel está presente em até 20% das frutas.

Segundo o produtor, o consumidor precisar ser “rápido” para aproveitar o pingo de mel. Isso porque, afirma, a maçã não conserva esse acúmulo a mais de açúcar se ficar muito tempo estocada em câmara fria. “Se ficar guardada mais do que 30 dias, ela perde o pingo de mel”, explica.

Em seu pomar de 15 hectares, Bittencourt colheu cerca de 800 toneladas de maçã, volume 40% superior ao do ano passado. A Fuji é responsável por 60% de sua produção. Neste ano, o produtor acredita que em torno de 20% de suas maçãs dessa variedade apresentam o pingo de mel.

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