Área de trigo deve cair diante de custos elevados
A semeadura do trigo avança de forma gradual no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e as condições de umidade do solo. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pela Emater/RS-Ascar, o ritmo de implantação da cultura varia entre as regiões devido às diferenças nas condições de campo, que alternam períodos de excesso de umidade, dificultando a entrada de máquinas, e momentos de déficit hídrico, que comprometem a germinação das sementes.
Apesar do avanço das operações, as projeções apontam para uma redução expressiva da área cultivada com trigo na safra 2026 em comparação ao ciclo anterior. Conforme a Emater/RS-Ascar, a retração está relacionada à combinação de custos elevados de produção, restrições no acesso ao crédito e ao seguro rural, além do aumento da percepção de risco climático para as culturas de inverno. O cenário também tem levado produtores a ampliar o uso de recursos próprios e a reduzir a aquisição de sementes fiscalizadas.
A área destinada ao trigo em 2026 ainda está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares, alcançando produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3.458.083 toneladas, segundo dados do IBGE.
Na região de Caxias do Sul, os produtores concentram esforços no preparo das áreas. A semeadura deverá começar nos próximos dias nos municípios de menor altitude. Já nos Campos de Cima da Serra, o plantio está previsto para julho, seguindo o calendário regional de cultivo.
Na região de Ijuí, a semeadura alcançou 10% da área projetada, mas foi desacelerada pelo excesso de umidade do solo em parte do período. As áreas já implantadas apresentam boa emergência e desenvolvimento inicial. Também seguem os trabalhos de dessecação para manejo de plantas espontâneas. Segundo a Emater/RS-Ascar, observa-se ainda maior interesse pelo cultivo destinado à produção de etanol, além da redução na procura por sementes certificadas e crédito de custeio, o que tem ampliado o uso de sementes salvas pelos produtores.
Em Soledade, a área destinada ao trigo também deverá ser menor do que a registrada no ano anterior. A semeadura alcança cerca de 10% da área prevista, e as lavouras implantadas apresentam germinação satisfatória, emergência uniforme e desenvolvimento vegetativo adequado. Na maior parte dos municípios da região, o período recomendado pelo ZARC segue até 20 de julho, enquanto nas áreas de maior altitude, como Soledade e Encruzilhada do Sul, o calendário se estende até 30 de julho.
