quinta-feira, julho 9, 2026

Fertilizantes pesam até 46,7% no custo da soja em MT

Fertilizantes pesam até 46,7% no custo da soja em MT

Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome

Enquanto os custos de produção agrícola seguem pressionados pelos fertilizantes — que chegam a representar quase metade do custeio da soja em Mato Grosso —, o Brasil vive um momento de queda nas importações do insumo e de aposta crescente na indústria nacional. Segundo dados divulgados pela consultoria StoneX, as importações das principais matérias-primas de fertilizantes recuaram 8,6% em volume no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, movimento que expõe tanto os riscos quanto as oportunidades da cadeia produtiva brasileira.


Essa dependência tem raízes estruturais: o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), sendo hoje o maior importador mundial do insumo. Em 2025, o país trouxe do exterior 45,5 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica, conforme a Conab.

É nesse contexto que o recuo das importações no primeiro semestre de 2026 chama atenção. De acordo com a StoneX, as compras externas de ureia caíram 32%, o MAP (Fosfato Monoamônico) recuou 24%, e o nitrato de amônio e o enxofre tiveram quedas de 42% cada — já o cloreto de potássio e o TSP avançaram, num movimento de migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP (Fosfato Diamônico) no mercado internacional. A consultoria atribui a retração à cautela dos compradores diante de incertezas internacionais e de relações de troca desfavoráveis, o que tem levado produtores e importadores a postergar negociações justamente na janela mais sensível do calendário: entre abril e agosto concentram-se as compras de fosfatados para a safra de verão, e de junho a dezembro, as de nitrogenados para a segunda safra.

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Minas Gerais desponta como peça-chave nesse tabuleiro: o estado concentra cerca de 70% das reservas nacionais de potássio e abriga a maior mina em operação do país, em São Gotardo. A produção atual, de 3 milhões de toneladas por ano, tem planos de expansão que podem alcançar 23 milhões e, depois, 50 milhões de toneladas anuais — volume próximo ao consumo total do Brasil, hoje em torno de 60 milhões de toneladas.

Para Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, empresa de fertilizantes de capital 100% nacional, o momento exige planejamento estratégico. “O agronegócio brasileiro se deparou com um ano de elevada complexidade. O país enfrenta um cenário marcado por adversidades climáticas, custos de produção em alta e um mercado volátil, mas também por oportunidades estratégicas capazes de reposicionar o produtor no centro da economia global. Como protagonista na exportação de commodities como soja, milho e carne, o Brasil entra em um momento decisivo em que planejamento inteligente e ferramentas ágeis de gestão serão fundamentais para transformar riscos em vantagens competitivas”, afirma.

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