terça-feira, setembro 22, 2026

Novos produtos contra pragas e concorrência de sintéticos serão destaque do Congresso do Algodão

Novos produtos contra pragas e concorrência de sintéticos serão destaque do Congresso do Algodão

O 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) começa nesta terça-feira (22/9) em Belo Horizonte com a expectativa de reunir mais de 4.000 pessoas ligadas à produção, comércio, indústria e pesquisa do algodão. O evento, que acontece até quinta-feira (24/9), vai debater o cenário da cultura e seus desafios e conhecer inovações do setor que movimenta US$ 135 bilhões e carrega um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 74 milhões, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

A safra brasileira de algodão está quase encerrada, com uma produção estimada de 4,25 milhões de toneladas, embora a área plantada tenha caído 8% em relação a 2025. O país, terceiro maior produtor mundial e líder de exportação da pluma, fechou o ano comercial entre agosto de 2025 e julho de 2026 com o recorde de 3,5 milhões de toneladas embarcadas, seguido pelos Estados Unidos, com 2,8 milhões.


Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, diz que o congresso bianual organizado pela associação, com investimento estimado de R$ 12 bilhões a R$ 14 bilhões bancados pelas empresas e inscrições, é um importante espaço para discussão dos desafios do setor, como a competição com as fibras sintéticas, rastreabilidade, desmatamento, cadeia de custódia e gestão de custos, assim como para o lançamento de produtos e inovações tecnológicas.

“Inovação é ponto fundamental para o setor. Todos os dias há lançamentos que precisam ser avaliados. O produtor de algodão precisa estar sempre focado na gestão do negócio, planejando como reduzir custos e aumentar a produtividade para atender os mercados mais exigentes.”

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Produto contra o bicudo

O diretor destaca como lançamento neste ano o primeiro produto biológico para o controle do bicudo, um besouro que é responsável pelos maiores danos para a cultura. O bicudo-do-algodão (Anthonomus grandis) pode provocar prejuízos de até 70% na produtividade.

Segundo Portocarrero, o biológico Grandis da empresa suíça Biotrop já foi testado em campo e aguarda apenas o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O produto está sendo muito aguardado pelos produtores porque pode reduzir em até 40% o uso de químicos na lavoura de algodão, além de ser mais barato que o químico. A extinção do bicudo, praga que só existe nas lavouras brasileiras devido à temperatura, umidade e extensão das áreas de plantio, é considerada praticamente impossível

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No campo das cultivares, também haverá novidades no congresso. A Girassol Agrícola, por exemplo, vai lançar a cultivar GA 912, que promete um elevado peso médio dos capulhos, aliado a um rendimento de fibra de 41,8%.

Exportações e concorrência de sintéticos

Atualmente, cerca de 700 mil toneladas ou 30% do algodão brasileiro ficam no mercado interno. Portocarrero diz que a meta do setor é aumentar esse volume para 1 milhão de toneladas até 2030. Está nos planos também elevar as exportações para os países que já compram o algodão brasileiro como a China, Bangladesh, Turquia, Vietnã, Paquistão, Índia e Egito (esse dois últimos mercados foram abertos há dois anos), e apostar na busca de novos mercados que compram algodão de qualidade.

Segundo o diretor-executivo da Abrapa, o consumo mundial de algodão de cerca de 24 milhões de toneladas está estagnado há 12 anos, mas pode crescer com a preocupação internacional sobre microplásticos, saúde e impactos ambientais das fibras sintéticas. O algodão brasileiro, diz, leva vantagem porque tem 60% dos fios classificados como de primeira linha e a produção foca na sustentabilidade e na rastreabilidade, com 99,9% dos fardos rastreados individualmente. Além disso, o país é o único player mundial que tem condições de ampliar a produção, aproveitando áreas, tecnologia e estrutura já disponíveis.

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