Brasil é o maior produtor e exportador de café do planeta
Você sabia que aproximadamente um terço do café consumido no mundo tem origem em grãos produzidos no Brasil?
O país ocupa a posição de maior produtor e exportador mundial da bebida e também está entre os maiores consumidores do planeta.
A produção brasileira para 2026, ano de bienalidade positiva, está estimada em 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, um resultado recorde e que representa uma alta de 19,6% em comparação à safra de 2025, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A exportação em 2025 atingiu o maior valor já registrado – US$ 16,1 bilhões -, mesmo com uma redução de 17,1% na quantidade exportada no mesmo período.
Para além das fronteiras brasileiras, o café também tem peso cultural e econômico. A bebida está entre as mais consumidas e a commodity está entre as mais comercializadas do mundo, sustentando os meios de vida de até 25 milhões de agricultores e suas famílias.
A relevância da cultura ganhou uma data no calendário: o Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro e reconhecido pela Organização Internacional do Café (OIC) e pelos 77 Estados-Membros da entidade.
Para celebrar o dia da bebida tão presente na vida dos brasileiros e no mercado mundial, confira a seguir algumas curiosidades sobre o café.
1. Cabras foram responsáveis pela descoberta do café?
Assim como conta a lenda, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) afirma que o café foi descoberto ainda no século IX, na Etiópia. Segundo a história, o pastor Kaldi percebeu que seu rebanho de cabras ficava mais agitado e permanecia acordado durante toda a noite após consumir frutos de arbustos comuns na região.
Kaldi compartilhou a percepção com um grupo de monges, que perceberam que poderiam transformar os frutos em uma bebida quente para ajudá-los a permanecer acordados durante as orações.
Coincidência ou não, registros históricos apontam que foi justamente nesse período que ocorreu a expansão e a exploração de diferentes formas de consumir o café, tanto como bebida quanto como fruto.
2. O maior consumidor de café não é o Brasil
Apesar de ser uma potência na produção e exportação de café, o Brasil não lidera o consumo mundial da bebida. O país ocupa a segunda posição, atrás dos Estados Unidos, com uma diferença de cerca de 5 milhões de sacas, segundo dados da Abic de 2025.
Ao contrário do que o senso comum pode indicar, o café descafeinado ainda contém uma pequena quantidade de cafeína. No Brasil, a Anvisa define como descafeinado o café torrado com, no máximo, 0,1% de cafeína e o café solúvel com até 0,3%, segundo Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Durante o processo de produção, a indústria retira a cafeína, que se dissolve na água, dos grãos ainda verdes e não torrados. Três métodos principais podem ser usados para essa remoção: solventes químicos, dióxido de carbono líquido ou água pura com filtros especiais.
Todos esses métodos exigem etapas adicionais de processamento, o que faz com que o café descafeinado costume ser mais caro do que o café com cafeína.
4. Arábica e robusta têm características diferentes na xícara
Embora os dois tipos sejam provenientes do mesmo fruto, eles proporcionam experiências diferentes na degustação. O café arábica está mais associado ao aroma e às características sensoriais da bebida, enquanto o canephora (robusta) apresenta sabor mais intenso, maior presença de sólidos solúveis e contribui para a formação do creme do espresso.
Por isso, os dois tipos podem ser combinados em diferentes proporções, formando os chamados blends. A mistura de diferentes grãos permite criar um perfil de sabor único, equilibrado e consistente.
5. O café mais caro do mundo vem de fezes
Produzido sobretudo na Indonésia e nas Filipinas, o exótico Kopi Luwak é feito a partir de cerejas de café maduras ingeridas pela civeta asiática, um pequeno mamífero noturno. Os grãos são extraídos das fezes do animal, que vive em florestas tropicais.
Apesar de o processo parecer pouco atrativo, não há resquícios dos dejetos no produto final. A civeta se alimenta da polpa do café, enquanto as sementes passam intactas pelo sistema digestivo. Nesse processo, enzimas e bactérias fermentam as cerejas, o que confere aos grãos um sabor frutado, pouco amargo e com baixa acidez.
Assim, o produto se posiciona como um aliado da conservação ambiental, já que a proteção das florestas locais também garante a sobrevivência do animal que produz o café, atualmente ameaçado de extinção
Os preços acompanham essa valorização. Pacotes de 100 a 250 gramas variam de R$ 180 a quase R$ 300. Já um quilo pode chegar a R$ 14 mil.
