O mercado de trigo no Sul do país enfrenta oferta restrita da safra velha, dificuldades para obter grãos de qualidade e preços elevados, enquanto a nova colheita avança de forma desigual. Segundo a TF Agroeconômica, a escassez leva moinhos a buscar alternativas de compra, inclusive no exterior.
No Rio Grande do Sul, são raros os negócios da safra velha, a R$ 1.550 por tonelada no interior, enquanto vendedores pedem R$ 1.600. Da safra nova, pouco foi colhido, com ofertas de R$ 1.400 pelos moinhos. A colheita foi retomada nas Missões e em Santa Rosa, mas há poucas áreas prontas. Para outubro, está prevista a chegada de trigo uruguaio. O último preço conhecido do importado foi de US$ 305 em Rio Grande. No balcão, Panambi alcançou R$ 74 por saca, após alta de R$ 2, e Espumoso registra R$ 78.
Em Santa Catarina, os moinhos procuram trigo antigo para garantir qualidade. A restrição levou um moinho local a reajustar em 11,5% a tabela de farinhas, percentual ainda considerado insuficiente. O trigo gaúcho é pedido a R$ 1.600 por tonelada, mais R$ 180 de frete, enquanto o paranaense novo chega a R$ 1.600, com qualidade incerta. No balcão, os valores vão de R$ 72 em Rio do Sul a R$ 80 em Xanxerê. Joaçaba teve alta, para R$ 73,17.
No Paraná, praticamente não há oferta da safra velha, com negócios pontuais de sobras de sementes a R$ 1.600. Na nova safra, parte dos lotes apresenta peso hectolítrico ou índice de queda reduzidos, e houve abandono de áreas com germinação. Produtores querem renegociar contratos e moinhos já apresentam tabelas de descontos. As indicações de trigo tipo 1 variam de R$ 1.550 por tonelada para entrega em setembro a R$ 1.450 em novembro, mas as ofertas desse padrão desapareceram. O trigo paraguaio subiu a US$ 320 nos Campos Gerais, enquanto o argentino é cotado a US$ 325 em Paranaguá.