Hedgepoint projeta recuperação da safra de café 2026/27
A Hedgepoint Global Markets divulgou estimativa preliminar para a safra brasileira de café 2026/27, indicando recuperação relevante na produção de arábica e manutenção de volumes elevados de conilon, embora abaixo do pico registrado em 2025/26. Segundo a companhia, as chuvas de outubro e novembro favoreceram a floração do arábica, enquanto o conilon manteve bom desenvolvimento nas principais regiões produtoras.
A companhia aponta que o avanço do arábica representa crescimento entre 23,3% e 30,0% em relação à safra passada, impulsionado pela entrada de novas áreas, pelo manejo e pela bienalidade positiva em parte das lavouras, além da melhora das condições climáticas após meados de outubro. Ainda assim, a produtividade segue desigual entre as regiões produtoras. No caso do conilon, a projeção indica recuo entre 5,9% e 8,9% na comparação anual, após um ciclo considerado excepcional, com parte dessa queda sendo compensada pela expansão e renovação de áreas iniciadas a partir de 2023.
No campo climático, a Hedgepoint Global Markets observa que o período entre agosto e o início de outubro foi marcado por seca, o que atrasou a floração e provocou perdas nas primeiras floradas em algumas áreas. Com o retorno das chuvas a partir da segunda quinzena de outubro, especialmente nas regiões produtoras de arábica, houve uma segunda floração, que contribuiu para a recuperação das expectativas para a safra 2026/27.
Para o conilon, a analista aponta que a regularidade das precipitações e os bons níveis dos reservatórios no Espírito Santo e na Bahia vêm favorecendo a floração e o enchimento dos grãos. De acordo com a Hedgepoint Global Markets, essas condições ajudam a sustentar um volume ainda elevado da produção, mesmo após o pico do ciclo anterior.
No mercado, a companhia avalia que a recuperação do arábica, combinada a uma produção significativa de conilon, tende a contribuir para a recomposição dos estoques globais. No entanto, a Hedgepoint ressalta que estimativas mais precisas dependerão da conclusão da fase de enchimento dos grãos, entre dezembro e março, período em que o mercado permanece sensível a eventuais adversidades climáticas. “O sentimento recente ficou mais baixista diante da perspectiva de maior produção brasileira e da remoção da maioria das tarifas dos EUA sobre o café brasileiro, ainda que a condição dos estoques e menor exportações brasileiras possam trazer suporte no curto prazo”, diz.


