domingo, agosto 31, 2025

Café em espera: Diante cenário sem previsibilidade, produtor vem postergando comercialização da nova safra

Café em espera: Diante cenário sem previsibilidade, produtor vem postergando comercialização da nova safra

Mais capitalizado, cafeicultor está cauteloso e viabilizando a valorização da sua produção

A comercialização no mercado físico brasileiro do café está em estado de espera, com os produtores adotando uma postura cautelosa diante de tantas incertezas políticas e comerciais. Mesmo com a entrada da nova safra no mercado, a falta de previsibilidade, as fortes e repentinas oscilações nas bolsas de Nova Iorque e Londres, estão mantendo os cafeicultores reistentes e dificultando o fechamento de novos negócios.

Um levantamento da consultoria Safras & Mercado apontou que no começo do mês de julho, os produtores de café do Brasil tinham vendido apenas 31% da safra 2025/26, percentual abaixo da média de cinco anos para o mesmo período.


Para o analista de café da Datagro, Daniel Pinhata, após os elevados preços registrados na safra 2024/25, os cafeicultores estão mais capitalizados, o que reduz a pressão por vendas imediatas da produção atual. “Esse comportamento é reforçado pelo atual contexto de queda nas cotações internacionais, pela expectativa de um possível repique nos preços por parte de alguns agentes de mercado e pelo aumento das incertezas políticas”, explicou o analista.

Outro ponto que vem travando a movimentação, são os preços atuais oferecidos no mercado. Mesmo com interesse do comprador para todos os padrões de café, há poucos produtores dispostos a fechar negócios nas bases de preços oferecidos. De acordo com o analista de mercado da Archer Consulting, Marcelo Moreira, no início do ano o preço do café no mercado interno chegou a atingir algo em torno dos R$ 2.500 a 3 mil a saca do café arábica, e cerca de R$ 2 mil a do robusta, por isso, no momento, o produtor não estão aceitando vender “barato” e segue então esperando por novas altas. “Existe movimentação, mas estão vendendo da mão para a boca. Vendendo o necessário para cobrir caixa. Houve muita quebra na safra do arábica em algumas regiões do Brasil, algo em torno de 15 a 30%, agora estão aguardando preços melhores para não saírem no prejuízo”, comentou.

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Já a atual preocupação está na tarifa de 50% imposta pelos EUA para produtos importados do Brasil que, até o momento, não isentou o café (como era esperado pelo setor). A preocupação dos impactos dessa taxação para a comercialização do café brasileiro traz mais instabilidade as futuras negociações. Nos Estados Unidos, os importadores também têm adotado uma postura cautelosa, e mantido várias negociações em pausa até uma resolução entre os dois países.

“Dessa forma, esperamos uma retomada mais significativa nas comercializações após projeções mais assertivas em relação à florada brasileira e à redução das incertezas nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos”, destacou então o analista da Datagro.

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