quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Casos de gripe aviária na Argentina e no Uruguai reforçam alerta contra doença no Brasil

Casos de gripe aviária na Argentina e no Uruguai reforçam alerta contra doença no Brasil

Os últimos casos de gripe aviária confirmados nos vizinhos Argentina e Uruguai reforçaram o alerta contra a doença no Brasil, que só há pouco mais de três meses viu um de seus maiores importadores de frango, a China, voltar a importar o produto. O país asiático manteve suspensas, por seis meses, suas compras de aves após a confirmação do primeiro foco da doença em uma granja comercial brasileira, em maio do ano passado.

Na Argentina, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar do país (Senasa) confirmou na terça-feira (24/2) um novo caso de gripe aviária em uma ave comercial no município de Ranchos, na província de Buenos Aires.


Seguindo as diretrizes do plano de contingência, a agência determinou o fechamento imediato do estabelecimento.

O Senasa também informará oficialmente à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) sobre a suspensão das exportações de produtos avícolas para destinos com os quais a Argentina possui acordo sanitário de livre de gripe aviária.

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Em agosto do ano passado, o país já havia reportado outro foco de gripe aviária em plantel comercial, o que levou o país a suspender as exportações de itens avícolas.

No Uruguai, a situação é um pouco diferente. O governo reportou ocorrências da doença nas regiões de Maldonado, Rocha e Canelones, mas como as aves infectadas eram silvestres, não há restrições de atividades comerciais no país – diferentemente do que ocorre na Argentina ou do que aconteceu no Brasil, onde as infecções haviam ocorrido em granjas comerciais e exportações tiveram de ser ao menos parcialmente paralisadas.

Apesar disso, o governo uruguaio declarou emergência sanitária, a fim de adotar ações rápidas de prevenção e controle da doença, de acordo com comunicado oficial do país.

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No Brasil, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, já tinha dito na segunda-feira (23/02), durante um evento em Brasília, que a prioridade número um da Pasta continua sendo cuidar da gripe aviária. Ele lembrou que, neste período do ano, aumenta o risco de novas ocorrências, devido ao fluxo migratório das aves silvestres — que deixam regiões frias no Hemisfério Norte, onde neste momento é inverno, e buscam o Hemisfério Sul, que está no verão.

“A influenza aviária continua sendo o principal desafio a ser mitigado pela secretaria. Conseguimos melhorar muito, mas é um problema ainda muito sério, mas que tem melhorado”, disse Goulart.

Em fevereiro, o Congresso Nacional confirmou a aprovação da medida provisória 1312/2025 que prevê liberar R$ 83,5 milhões adicionais para o enfrentamento das quatro emergências sanitárias em curso no país – gripe aviária, vassoura-de-bruxa da mandioca, monilíase do cacaueiro e mosca da carambola.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse em nota que está, em linha com o Ministério da Agricultura e Pecuária, monitorando o andamento das ocorrências de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade na Argentina e no Uruguai.

“Independentemente da situação nos países vizinhos, o setor produtivo brasileiro mantém elevados os protocolos de biosseguridade no sistema produtivo, que inclui restrição de visitas às unidades produtoras, revisão das estruturas de controles e sanidade, campanhas internas permanentes de conscientização, entre outras medidas”, afirmou a entidade no comunicado.

Na Argentina, agentes do Senasa adotarão, entre outras medidas, a supervisão do abate e da destinação final das aves infectadas, bem como a subsequente aplicação de medidas de higiene e desinfecção das instalações.

Caso não ocorram novos surtos em estabelecimentos comerciais após 28 dias, o país poderá declarar-se livre da doença perante a OMSA e restabelecer as exportações. O Senasa ressaltou que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne ou de ovos e que a produção de produtos avícolas, portanto, permanecerá liberada.

No Uruguai, autoridades locais orientaram o setor a reforçar iniciativas de biosseguridade nas granjas, evitar contato com aves mortas e entrar em contato com autoridades tão logo encontre um caso suspeito.

Entre as ações do governo uruguaio previstas no protocolo de emergência estão a restrição de movimento de aves por todo o território nacional, do alojamento de aves criadas em sistemas livres e suspensão de feiras e outros eventos ligados à avicultura.

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