terça-feira, junho 9, 2026

Decisão da União Europeia ameaça quase US$ 2 bilhões em exportações do Brasil

Decisão da União Europeia ameaça quase US$ 2 bilhões em exportações do Brasil

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados ao bloco pode ter um impacto de quase US$ 2 bilhões anuais. O número refere-se à receita obtida no ano passado pelo Brasil com os produtos afetados pelo embargo.

Como mostrou a reportagem na última sexta-feira, a UE oficializou a retirada do Brasil da lista de exportadores de proteínas animais e derivados (bovinosequinos, aves, pescados, mel e tripas) por não apresentar as garantias necessárias sobre o não uso de antimicrobianos nos animais. A medida, se não for revertida, valerá a partir de 3 de setembro.


O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (8/6) que o governo federal vai se empenhar para reverter a decisão da União Europeia. “Vai ser feito um empenho. Tenho conversado com o ministro [da Agricultura] André de Paula, vamos trabalhar”, afirmou Alckmin na Bahia Farm Show, feira agropecuária realizada em Luis Eduardo Magalhães (BA).

O tema depende de negociações técnicas, mas já demanda o envolvimento do alto escalão político em Brasília. Na última sexta-feira (5/6), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema com o Comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, em Paris, e reforçou a necessidade de manter “canais de diálogo ágeis” para tratar de problemas como esses, disse uma fonte.

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Há uma percepção entre técnicos em Brasília de que houve uma onda de recrudescimento por parte da Europa em temas como esse por causa da entrada em vigor do acordo com o Mercosul. Por outro lado, eles admitem que houve demora pelo lado brasileiro na apresentação dos protocolos requisitados pelos europeus para comprovar o não uso desses insumos nas cadeias produtivas.

Com o anúncio da retirada da lista, o Brasil apresentou aos europeus um protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos, que foi homologado recentemente pelo Ministério da Agricultura.

Na avaliação de um técnico experiente, porém, a medida sinaliza “desespero” da Pasta e que não terá qualquer efeito prático junto aos europeus. O mecanismo atribui a uma associação privada a certificação de que os animais não receberam tratamento com os medicamentos ao longo de toda a vida, que seria validado oficialmente pelo Ministério da Agricultura.

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Representantes de alguns setores produtivos acham que o embargo é “irreversível”. Para grandes frigoríficos, uma das opções para manter o comércio de carne bovina, por exemplo, será exportar a partir das plantas na Argentina e no Uruguai. O Brasil foi o único país do Mercosul afetado pelo embargo sanitário.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa o segmento de carne de frango, afirmou, em nota, que a decisão da União Europeia de manter o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar determinadas carnes e derivados para o bloco não está relacionada a qualquer problema sanitário do país ou ao uso inadequado de antimicrobianos.

“O tema em discussão refere-se aos procedimentos de comprovação e reconhecimento, pela União Europeia, dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil, conduzidos pelas autoridades competentes”, destacou a ABPA.

Sindicato defende fiscalização

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) afirmou, em nota, que as restrições reforçam a necessidade de fortalecer a defesa agropecuária brasileira com a ampliação do quadro de servidores e da aplicação de recursos compatíveis com as responsabilidades assumidas pelo Brasil no comércio exterior.

“Este episódio demonstra que a manutenção desses mercados exige investimento permanente em fiscalização, auditoria, rastreabilidade e certificação oficial. Não basta conquistar mercados. É preciso preservar diariamente a confiança construída ao longo de décadas”, afirmou o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, na nota.

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