quinta-feira, abril 30, 2026

Desafios e perspectivas do mercado de milho e soja em debate

Desafios e perspectivas do mercado de milho e soja em debate

Mercado de milho e soja é debatido em evento, com foco em clima e economia

Os desafios e as perspectivas para os mercados de milho e soja foram destaques no segundo webinar do ano promovido pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com a consultoria Safras & Mercado, realizado nesta terça-feira (28). O encontro, que integra uma série de eventos voltados à qualificação do setor agropecuário em 2026, teve como eixo central a análise do “Cenário de oferta e demanda global: perspectivas de mercado de milho e soja”.


Segundo Molinari, o plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos avança em ritmo acelerado, impulsionado por condições climáticas favoráveis. Dados recentes indicam que o milho já alcança cerca de um quarto da área estimada, enquanto a soja supera os 20%, desempenho acima da média histórica e considerado um dos mais precoces já registrados para a oleaginosa.

Segundo análises de mercado, o clima favorável norte-americano tem permitido rápida evolução dos trabalhos de campo, cenário que costuma estar associado a boas produtividades.

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No plano macroeconômico, o analista destacou a instabilidade cambial global, influenciada sobretudo pela política monetária dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a valorização do Yuan sustenta o poder de compra chinês, fator relevante para manter sua capacidade de importação de produtos como carnes, grãos e minério, o que acaba contribuindo para reduzir grandes oscilações no real.

Apesar desse cenário externo relativamente equilibrado, Molinari apontou fragilidades estruturais no Brasil. O país volta a conviver com déficits recorrentes em transações correntes, ainda que considerados administráveis. O saldo de março, aponta que esse déficit chegou a cerca de US$ 6 bilhões, o que acende um sinal de alerta e gera expectativa sobre os dados de abril, para verificar se houve recuperação ou não.

Segundo Molinari, a Selic mantém elevada a diferença entre a taxa de juros do Brasil e a do exterior, em torno de 4 a 5 pontos percentuais. Esse diferencial favorece a entrada de capital no país, tanto de perfil mais estável quanto especulativo, que passa a circular na economia brasileira. Em alguns momentos, porém, há saída líquida de recursos, como ocorreu em março, quando o volume de capital que deixou o país superou o que entrou.

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SAFRINHA DE MILHO NO BRASIL

No Brasil, as preocupações com a safrinha de milho persistem, mas a recomendação é de cautela. Regiões que vinham enfrentando estresse hídrico, como o Norte do Paraná, registraram melhora após chuvas recentes. Também houve precipitações no Oeste paulista e em Mato Grosso do Sul, contribuindo para a recuperação das lavouras.

Apesar disso, áreas pontuais, especialmente em partes de Goiás, ainda demandam maior regularidade de chuvas. Especialistas destacam, porém, que eventuais perdas localizadas não têm força para alterar o equilíbrio global de oferta e demanda, embora possam gerar movimentos especulativos no mercado.

Diante desse contexto, o mercado não projeta, até o momento, uma quebra relevante na safrinha, desde que as condições climáticas previstas se confirmem. Para os próximos meses, os modelos indicam chuvas dentro da normalidade, embora o período naturalmente apresente baixos volumes, exigindo monitoramento constante.

No horizonte mais longo, começam a surgir sinais da influência do fenômeno El Niño. Há indicativos iniciais de seca na Venezuela, que pode se intensificar entre julho e outubro e, dependendo de sua intensidade, avançar para regiões do Norte do Brasil e até o Centro Oeste.

MERCADO DA SOJA

Durante palestra, o especialista destacou que, no caso da soja, o clima na América do Sul e as compras chinesas nos Estados Unidos perderam relevância, enquanto o desempenho da safra americana e a demanda por biodiesel ganham força.

A ampliação da meta de produção de biodiesel nos Estados Unidos tem impulsionado a demanda por óleo de soja, elevando os preços e estimulando o esmagamento do grão. A expectativa é de que esse movimento continue sustentando o mercado, mesmo diante de uma produção global maior.

Outro ponto de atenção destacado por Molinari é o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 12 de maio. O documento pode trazer revisões nas exportações de milho americano, que já superam em cerca de 16 milhões de toneladas o volume do ano anterior, indicando possível redução dos estoques.

O acordo comercial entre Estados Unidos e China também deve alterar o fluxo de comércio, com previsão de aumento significativo das compras chinesas de soja americana nos próximos anos. Essa mudança pode reduzir a liquidez do produto brasileiro no último trimestre, período em que tradicionalmente o país perde competitividade.

Diante de todo esse cenário, a recomendação de Molinari é cautela na comercialização, especialmente à espera do relatório do USDA. Fatores como clima nos Estados Unidos, comportamento da China, o andamento das exportações brasileiras e preços de óleos vegetais devem seguir no radar do mercado nos próximos meses.

ASSUNTO ESTRATÉGICO

O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, avaliou positivamente o evento e destacou que a apresentação foi marcada pelo profundo conhecimento sobre as mais diversas variáveis, ou seja, questões climáticas, geopolíticas, tributárias, econômicas e de câmbio. “Isso demonstra a competência de Molinari e também a qualidade de toda a sua equipe. É por isso que o Sistema Faesc/Senar e os Sindicatos Rurais, com muita convicção, mantêm essa sólida parceria com a Safras & Mercado.”

O dirigente também anunciou a próxima palestra do ciclo que será no mês de junho e terá como tema os fertilizantes, outro assunto extremamente relevante. “O encontro está marcado para o dia 22 de junho e contará com a palestrante Maísa Romanello. Esperamos ter uma participação tão expressiva quanto a de hoje”.

Clemerson Pedrozo reforçou que a necessidade de informação qualificada é uma ferramenta essencial para a tomada de decisão em um ambiente cada vez mais complexo e volátil. “Quero agradecer, também em nome do nosso presidente José Zeferino Pedrozo, a todos os dirigentes sindicais, bem como aos técnicos, produtores e demais representantes do setor que nos acompanharam”.

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