terça-feira, julho 21, 2026

El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina, diz estudo

El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina, diz estudo

O fenômeno do El Niño neste ano pode ser um dos eventos climáticos mais intensos em mais de uma década. No entanto, no setor agrícola da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o impacto tende a se traduzir em ganhos de produtividade e superoferta, o que não necessariamente significa maior lucro para os produtores. É o que indica um estudo publicado pela Allianz Trade.

De acordo com o levantamento, dados de episódios anteriores de El Niño mostram que as safras brasileiras registraram desvios positivos em relação à tendência de cinco anos: a produção de soja chegou a ficar até 4% acima da média histórica (em 2015), enquanto o café arábica atingiu até 5% acima da tendência.


Apesar de o clima mais úmido beneficiar lavouras de grãos e oleaginosas no Sul do continente, o estudo alerta que o aumento expressivo da oferta tende a pressionar os preços de venda para baixo.

Além disso, a superoferta preenche rapidamente a capacidade de estocagem, encarecendo drasticamente os custos de armazenamento para produtores e tradings, diz o estudo.

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A pesquisa ressalta que os efeitos do El Niño no Brasil são assimétricos. Enquanto as regiões agrícolas ao Sul tendem a ser favorecidas pela umidade, o Norte e a bacia amazônica enfrentam riscos de seca.

Essa condição de seca no Norte posiciona o Brasil, ao lado de Colômbia e Peru, entre os países da região com vulnerabilidades inflacionárias específicas, podendo impactar os preços dos alimentos, a logística e a geração de energia elétrica.

No cenário global, os autores acreditam que a melhora na oferta de soja e milho na América Latina deve atuar como um contrapeso natural às pressões inflacionárias globais de alimentos, diferentemente do Leste Asiático e da África Ocidental, que enfrentam riscos severos de seca em culturas como cacau, óleo de palma e arroz.

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Para o setor corporativo, a Allianz Trade aponta que exportadores agrícolas brasileiros podem registrar condições operacionais e de crédito mais fortes devido ao maior volume, embora o estresse financeiro possa aumentar para processadores de alimentos e intermediários expostos à volatilidade e à queda dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional.

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