sexta-feira, junho 12, 2026

Exportações de café devem aumentar com avanço na colheita do arábica

Exportações de café devem aumentar com avanço na colheita do arábica

As exportações brasileiras de café voltaram a crescer pela primeira vez no ano, sinalizando uma virada de tendência. Em maio, as exportações somaram 3,089 milhões de sacas de 60 quilos, 3,6% acima do volume registrado em maio de 2025.

De acordo com os dados do Cecafé, em maio, as exportações de cafés canéfora (robusta e conilon) somaram 601,8 mil sacas, o que representou um aumento de 193% em relação ao volume registrado em maio do ano passado. Já os embarques de café arábica tiveram queda de 11,9% no mesmo intervalo de comparação, chegando a 2,13 milhões de sacas.


Marcos Matos, diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), observou que houve incremento, apesar do atraso na colheita do café arábica. A Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa de café do mundo, relatou que a colheita chegou a 12% das áreas atendidas pela cooperativa, contra 13,7% há um ano.

“Os próximos meses serão mais aquecidos, considerando que tem uma safra recorde para ser colhida”, afirmou Matos.

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O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para o Brasil uma produção de 71,9 milhões de sacas na safra 2026/27, o que representa crescimento de 14% em relação ao ciclo anterior.

Cotações

Matos acrescentou que, por enquanto, a entrada da safra brasileira tem pesado mais na definição de preços internacionais do que os estoques globais apertados e as preocupações com a chegada do fenômeno climático El Niño. Os preços vêm cedendo nas últimas semanas. Em maio, o preço médio do café exportado caiu 18,9%, para US$ 340,06 a saca.

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Questões geopolíticas também devem influenciar nos preços da commodity. O acirramento da disputa entre Estados Unidos e Irã já tem exercido efeito nos preços dos fretes marítimos.

Outro fator de preocupação é a decisão que o governo americano pode tomar em relação à tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) após concluir uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Matos observou que, em maio, os Estados Unidos voltaram a liderar as compras de cafés do Brasil, com 376.510 sacas, mesmo com queda de 25,23% em relação a maio de 2025. “Os Estados Unidos foram o terceiro maior importador em fevereiro e março, segundo em abril e agora primeiro. É um sinal importante para nós”, avaliou Matos. A expectativa do Cecafé é que as compras de café brasileiro pelos EUA ganhem tração nos próximos meses.

Exportações por tipo

No acumulado de janeiro a maio, o café arábica foi o mais exportado pelo Brasil, com 11,126 milhões de sacas, queda de 21,3% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 1,891 milhão de sacas, e crescimento de 86,5%. O segmento do café solúvel, com 1,707 milhão de sacas (11,6% do geral) e o setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 20.714 sacas (0,1%) completam a lista.

Os cafés com qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis ou especiais responderam por 17,6% das exportações brasileiras de janeiro a maio, somando 2,590 milhões de sacas, volume 30,1% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2025.A receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 1,124 bilhão, é 31,1% inferior ao apurado entre janeiro e maio do ano passado.

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