segunda-feira, maio 25, 2026

Geadas forçam produtores a adotar medidas para reduzir perdas

Geadas forçam produtores a adotar medidas para reduzir perdas

Com a proximidade do inverno, o frio intenso e as geadas representam uma ameaça significativa para a produção de hortaliças, especialmente no Sul do Brasil. Especialistas estimam que as perdas podem chegar entre 90% a 100% nos casos de geada negra, quando a temperatura cai muito abaixo de zero, podendo matar plantas vulneráveis a depender da fase de desenvolvimento e da falta de proteção.

“As hortaliças, principalmente as folhosas como alface, rúcula, couve e salsinha sofrem muito com a geada e, normalmente, registram perdas maiores”, comenta Raphael Branco de Araújo, assessor estadual de Agroecologia do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná). Ele acrescenta que as hortaliças com conjunto de flores, como couve-florbrócolis e repolho, além do tomate, também sofrem e são suscetíveis a terem algum nível de perda.


O produtor de hortaliças Adriano Girelli, de Ponta Grossa (PR) teve sua plantação de hortaliças atingida por quatro episódios de geada no início de maio. “Teve seca em janeiro, depois excesso de chuvas e agora a geada. Já são três rounds, neste ano, perdendo para a natureza”, relata.

Para tentar minimizar os impactos com a geada, Girelli, que atua há 35 anos na atividade que já era praticada por seu pai e avô, está investindo em tecnologia de adubação. “Deu muito certo, tive uma redução de perdas em torno de 70%”, comemora.

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Ele conta que optou pela aplicação de silício, combinada com óleo de soja, o que resulta em nutrição e proteção das plantas, que ficam mais resistentes ao gelo. “A aplicação fortalece a parede celular das hortaliças, é como uma vacina”, avalia. Segundo ele, as plantas vêm resistindo a geadas com temperaturas até 2° C negativas.

Ainda assim, teve perdas de aproximadamente 10 mil pés de alface em maio devido às geadas, um prejuízo aproximado de R$ 20 mil. Na área de 3 hectares, o agricultor produz em torno de 20 toneladas por mês de folhosas, incluindo couve, escarola, acelga e cheiro verde, entre outras. Ele comenta que procura introduzir inovações e testes para minimizar as perdas com eventos climáticos, por isso está sempre em busca de conhecimento e novas tecnologias, além de monitorar constantemente o clima.

Anteriormente, utilizava a cobertura com sombrite (tela de sombreamento), o que, segundo ele, dava um “trabalho enorme”, com pouco resultado. Girelli ainda destaca a redução de custos obtida com a tecnologia voltada à nutrição das hortaliças e boas práticas de manejo, com diminuição do uso de 1,5 toneladas de adubos por mês para 250 quilos/mês.

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Cobertura na produção de hortaliças de Robson Godoy, em Colombo (PR) — Foto: Édina Rubia Weinert Jardwski/IDR
Cobertura na produção de hortaliças de Robson Godoy, em Colombo (PR) — Foto: Édina Rubia Weinert Jardwski/IDR

“Cobrimos na tarde anterior à geada e ajudou muito. Já os produtores da região que não fizeram isso, tiveram perdas”, conta, se referindo à geada que atingiu a área no início da semana. Na propriedade de dois hectares, Godoy produz em torno de 120 caixas por semana de alfaces de várias espécies, além de brócolis, couve-flor, entre produtos in natura e embalados, destinados à Ceasa.

Os dois produtores afirmam, entretanto, que no caso de geadas de intensidade forte as medidas de prevenção não são suficientes para evitar perdas. “Não tem muito o que ser feito”, diz Godoy.

Recomendações

Entre as principais medidas preventivas recomendadas pelo IDR está o sistema de irrigação por aspersão que, segundo Araújo, forma uma barreira física na planta com o vapor da água, ajudando a manter a temperatura dos tecidos vegetais acima do ponto de congelamento. Outra opção recomendada por ele é o uso da cobertura de TNT nos canteiros.

Para a produção agroecológica, ele ainda indica o uso de compostos orgânicos antiestresse, ácidos húmicos e fúlvicos, assim como produtos de homeopatia – caldas e extratos naturais – destinados a hortas, sempre com acompanhamento de profissionais especializados. “Há resultados promissores, tanto na prevenção, quanto no tratamento paliativo para recuperação de danos nas plantas”, afirma.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) também enfatiza uma série de orientações para o manejo de geadas em hortaliças. “A atividade no campo exige profissionalismo ou as perdas podem ser severas”, adverte o agrônomo Renato Guardini, extensionista rural da Epagri.

A Epagri também recomenda o sistema de irrigação por aspersão, que deve ser ligado durante a ocorrência de geadas, principalmente nas últimas horas da madrugada até o nascer do sol, assim como o uso de mantas de TNT e sombrites.

O Sistema de Plantio Direto em Hortaliças (SPDH) é apontado por Guardini como uma importante ferramenta para a obtenção de produções mais sustentáveis. Conforme o extensionista, em ocorrências de eventos climáticos extremos, o SPDH tem registrado poucas perdas em comparação ao cultivo convencional, que às vezes tem 100% da área atingida. “O SDPH cria muita saúde na planta e no solo”, frisa.

Recomendações de manejo de geadas em hortaliças

Hortaliças Folhosas (alface, agrião, espinafre, rúcula, entre outras)

  • Manter o sistema de irrigação por aspersão ligado durante a ocorrência de geadas, principalmente nas últimas horas da madrugada até o nascer do sol;
  • Evitar o excesso de adubação nitrogenada dias antes da previsão de frio;
  • Aplicação de aminoácidos e produtos com sulfato;
  • Em áreas menores e com geada leve, cobrir os canteiros com sombrite.

Brássicas (couve, repolho, brócolis, couve-flor)

  • Em plantas em fase de floração ou formação de inflorescência, amarre as folhas superiores sobre os botões florais para protegê-los;
  • Irrigação por aspersão, desde que iniciada antes do congelamento e mantida até após o nascer do sol;
  • Aplicação de aminoácidos e produtos com sulfato.

Hortaliças de raiz (cenoura, beterraba, rabanete, nabo)

  • Protegê-las com coberturas leves, como palhadas, quando as temperaturas previstas forem muito baixas;
  • Evitar colheitas logo após a geada e aguardar a temperatura subir para evitar rachaduras ou deterioração rápida.
  • Em cultivos a campo, usar cobertura com manta térmica (tipo TNT) ou túneis baixos com plástico nas noites mais frias;
  • Irrigação por aspersão: só deve ser usada se houver estrutura adequada para manter a irrigação contínua durante a madrugada;
  • Evitar plantios tardios em regiões de altitude no outono/inverno. Em estufas, reforçar vedação e controle da ventilação para reduzir perdas de calor.

 

Fonte: Epagri

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