O aumento persistente dos preços dos alimentos e dos custos de produção vem pressionando cadeias pecuárias na Ásia e estimulando uma reavaliação sobre o uso de organismos geneticamente modificados na alimentação animal, apesar da resistência de parte da sociedade. A discussão ganha força em um contexto de inflação, oferta interna restrita de grãos e maior preocupação com segurança alimentar.
Na Índia, o debate se intensificou em 2025 diante da deterioração da rentabilidade do setor avícola, afetado pela alta expressiva nos preços do milho e da soja e pelo baixo poder de compra dos consumidores. Projeções indicam queda média de 50% na rentabilidade do setor em 2025-26. Produtores defendem a importação seletiva de milho e soja transgênicos para ração como forma de aliviar custos e reduzir a escassez, enquanto entidades ambientais alertam para riscos de biossegurança, aceitação pública e dependência externa.
A movimentação indiana ocorre em paralelo ao avanço da China, que passou a tratar a biotecnologia como questão estratégica. O país ampliou rapidamente a área de milho transgênico, acelerou aprovações de sementes e liberou o cultivo comercial de diferentes culturas, buscando elevar a produtividade e reduzir a dependência de importações em meio a tensões comerciais e limitações estruturais.
Outros países asiáticos seguem caminhos distintos. O Vietnã estuda ampliar o uso de edição genética na produção vegetal, embora enfrente ritmo lento de adoção, enquanto a Tailândia mantém restrições ao cultivo transgênico, mas avança na regulamentação de culturas geneticamente editadas. Analistas avaliam que a normalização dos transgênicos na Ásia avança de forma desigual, impulsionada sobretudo por pressões econômicas, climáticas e de segurança alimentar.