sexta-feira, maio 29, 2026

Leite UHT saiu de R$ 4,75 em março para R$ 5,62 em abril

Leite UHT saiu de R$ 4,75 em março para R$ 5,62 em abril

Cesta básica sente os impactos

O preço do leite UHT avançou em abril de 2026 e passou a liderar as maiores altas do varejo alimentar no país. Segundo o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, da Neogrid, o produto subiu 18,3% no mês, em um cenário marcado por menor produção nacional, sazonalidade e maior pressão sobre itens básicos da alimentação.


A pressão ocorre em um momento de redução da produção nacional. De acordo com o Índice de Captação de Leite (ICAP-L), a coleta caiu 3,9% de fevereiro para março. No acumulado dos três primeiros meses do ano, a retração chegou a 11,1%. O movimento é atribuído a fatores sazonais, entre eles a menor disponibilidade de pastagens, além de uma postura mais cautelosa dos produtores depois de um 2025 marcado por margens apertadas.

A alta não ficou restrita ao leite UHT. Outros produtos de consumo frequente também subiram em abril. Os queijos passaram de R$ 63,61 para R$ 65,12, avanço de 2,4%. O feijão foi de R$ 7,51 para R$ 7,67, com alta de 2,1%. Legumes subiram 2%, e o pão registrou aumento de 1,8%.

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Para Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, o comportamento dos preços mostra concentração em grupos sensíveis à oferta e ao período do ano.

“Os dados mostram uma pressão concentrada em categorias essenciais e mais sensíveis à sazonalidade, como lácteos e hortifruti, mantendo o consumidor mais atento aos preços e à composição da cesta de compras”, explica Alves.

Quando o recorte é o acumulado entre dezembro de 2025 e abril de 2026, os legumes aparecem como o principal destaque de alta. O preço passou de R$ 5,50 para R$ 6,89, variação de 25,3%. Na sequência aparecem o leite UHT, com alta acumulada de 21,7%; o feijão, com 20,5%; os ovos, com 13,4%; e a carne bovina, com 6,6%.

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A tendência apontada pela Neogrid é de continuidade da instabilidade em categorias mais vulneráveis ao clima e à oferta. A avaliação vale especialmente para lácteos, hortifruti e itens básicos da alimentação. “Para os próximos meses a tendência é de continuidade da volatilidade em categorias mais sensíveis à oferta e ao clima, como lácteos, hortifruti e itens básicos da alimentação. Ao mesmo tempo, categorias industrializadas e algumas proteínas devem seguir mais estáveis, sustentadas pela maior competitividade no varejo e acomodação de custos”, acrescenta Alves.

A fala indica que o movimento de alta não atinge todos os grupos da mesma forma. Enquanto alimentos dependentes de condições climáticas e oferta mais curta tendem a oscilar, categorias industrializadas e parte das proteínas podem apresentar comportamento mais estável.

Na região Sul, o levantamento mostra que a pressão também atingiu alimentos básicos. As maiores altas de abril foram registradas em farinha de mandioca, com 21,1%; leite UHT, com 18,5%; legumes, com 9,1%; feijão, com 5,7%; e queijos, com 3,8%.

Em sentido oposto, algumas categorias recuaram. A carne suína caiu 8,9%, os ovos tiveram baixa de 5,1%, o frango recuou 4,9%, o sal caiu 4% e o açúcar teve redução de 3,5%.

Esse contraste mostra que, mesmo dentro da cesta alimentar, o comportamento dos preços varia conforme oferta, categoria e dinâmica regional.

A alta do leite UHT em abril reforça a ligação direta entre produção no campo, disponibilidade de matéria-prima e preço ao consumidor. Para o setor agropecuário, o avanço dos lácteos ocorre em um momento de menor captação, pastagens menos disponíveis e cautela dos produtores. Nos próximos meses, a atenção deve permanecer sobre a oferta de leite, hortifruti e itens básicos. A volatilidade nessas categorias tende a seguir influenciando decisões de produtores, cooperativas, indústrias, varejistas e consumidores.

 

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