sexta-feira, outubro 23, 2026

Minas Gerais certifica 13 fazendas produtoras de algodão

Minas Gerais certifica 13 fazendas produtoras de algodão

Treze propriedades cumprem critérios ambientais, trabalhistas e de rastreabilidade

Minas Gerais encerrou o ciclo de certificação da safra de algodão 2025/2026 com 13 propriedades rurais aprovadas no Programa algodão Brasileiro Responsável (ABR) e reconhecidas pela Better Cotton Initiative (BCI). O resultado amplia a oferta de algodão produzido sob critérios de responsabilidade socioambiental e rastreabilidade, requisitos que ganham importância nas negociações com a indústria têxtil e compradores internacionais.


O avanço ocorre em um estado que ocupa a quarta posição na produção brasileira de algodão na safra 2025/2026. Minas Gerais possui mais de 39 mil hectares cultivados com a cultura, dos quais mais de 17 mil hectares estão em áreas certificadas, conforme informações divulgadas pela Amipa.

A certificação exige o atendimento de normas relacionadas às condições de trabalho, à segurança dos funcionários, à conservação ambiental e à organização das atividades agrícolas. No caso do reconhecimento conjunto ABR e BCI, as propriedades precisam alcançar pelo menos 90% de conformidade nos critérios avaliados, além de cumprir integralmente os Critérios Mínimos de Produção.

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Segundo Luis André de Queiroz, consultor técnico da Amipa, a preparação das fazendas começa antes da auditoria, com diagnósticos destinados a identificar os ajustes necessários. A entidade oferece orientação técnica e modelos de documentos para auxiliar os produtores na implementação dos protocolos.

“Ofertamos os modelos de documentos e a assessoria técnica para que as propriedades adotem os protocolos exigidos pelo mercado”, explica Queiroz.

Entre os requisitos avaliados estão o cumprimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a aplicação da Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), voltada à segurança e saúde no trabalho rural, e a adoção de boas práticas agrícolas. O programa também considera aspectos ligados à conservação do solo, ao manejo de resíduos e à gestão das propriedades.

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No Grupo Farroupilha, sediado em Patos de Minas, cinco propriedades possuem certificação em Minas Gerais. As unidades estão localizadas nos municípios de Coromandel, Presidente Olegário, São Gonçalo do Abaeté e Buritizeiro.

De acordo com Carolina Lara Vasconcelos Ferreira, gerente de Saúde, Segurança e Sustentabilidade do grupo, a auditoria externa permite verificar práticas relacionadas ao uso de defensivos agrícolas, à proteção dos trabalhadores e à qualidade da fibra.

“Aos compradores, o selo assegura que temos controle sobre o uso de defensivos, que os trabalhadores têm acesso a equipamentos de proteção e exames médicos, e que passam por treinamentos regulares. O monitoramento rastreia da semente até o fardo, preservando a qualidade da fibra, que é processada em nossa unidade em Patos de Minas”, relata.

Para o presidente da Amipa, Daniel Bruxel, a adesão das propriedades aos programas de certificação também contribui para aprimorar a administração das fazendas, além de atender às condições estabelecidas pelos mercados compradores.

“Essas treze propriedades mostram que o produtor mineiro tem incorporado a certificação à gestão da fazenda. Além de atender às exigências do mercado, o processo melhora rotinas, amplia a segurança dos trabalhadores e torna a operação mais eficiente”, afirma.

Criado em 2012 pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o programa ABR também passou a incorporar avaliações relacionadas à adaptação climática. Entre as iniciativas consideradas estão a utilização de energia fotovoltaica, o cultivo de plantas de cobertura e o mapeamento de emissões de carbono, desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Segundo Fábio Carneiro, gerente de Sustentabilidade da Abrapa, a apresentação estruturada dessas informações atende à demanda da indústria têxtil por maior transparência sobre a produção.

A importância comercial das certificações também está relacionada às exigências regulatórias da União Europeia, que ampliam a atenção sobre a origem das matérias-primas e seus impactos. De acordo com estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para a safra 2024/2025, o Brasil responde por mais de um terço do volume global de algodão licenciado pela BCI.

Em Minas Gerais, a estratégia para ampliar o número de propriedades certificadas prevê um processo de preparação de dois anos. No primeiro, são realizados o diagnóstico e a implantação das adequações necessárias. No segundo, ocorrem as auditorias e a certificação.

A Amipa também participa, em conjunto com o governo estadual, do programa Certifica Minas Algodão, com o objetivo de integrar diferentes mecanismos de verificação da produção.

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