Em menos de uma década, o etanol de milho deixou de ter papel secundário
A produção de etanol de milho vem ganhando espaço e se consolidando como elemento estratégico no agronegócio brasileiro, ampliando a integração entre diferentes cadeias produtivas. A análise é de Maria Flávia Tavares, economista e doutora em agronegócios, ao avaliar a evolução recente desse mercado.
Dados da CONAB indicam que o país saiu de 42,5 milhões de toneladas na safra 2005/06 para 131,8 milhões em 2022/23, com estimativa de 139,7 milhões em 2024/25. Nesse contexto, o etanol de milho ganha relevância ao absorver excedentes e transformá-los em biocombustível e coprodutos de maior valor agregado, fortalecendo o mercado interno.
Com a expansão da indústria, esses produtos também avançam no comércio exterior. Em 2023, o Brasil realizou o primeiro embarque de DDGS para a China, com 62 mil toneladas enviadas de Santa Catarina ao porto de Nansha. A abertura do mercado das Filipinas reforça esse movimento, impulsionada pela demanda por proteína animal e insumos sustentáveis, conforme UNEM e ApexBrasil.
A produção acompanha esse crescimento e se expande geograficamente, com liderança de Mato Grosso, seguido por Mato Grosso do Sul e Goiás, enquanto novos estados passam a integrar a cadeia. O processo indica uma mudança estrutural, em que o milho deixa de ser apenas commodity de exportação e passa a compor um sistema mais integrado e voltado à geração de valor no país.
