Menor disponibilidade de animais sustenta arroba
O preço do boi gordo apresentou recuperação expressiva entre o final de agosto e o início de outubro, sustentado pela menor oferta de animais disponíveis para abate. Em São Paulo, a arroba acumulou valorização de 9,3% no período, chegando a aproximadamente R$ 376 no mercado físico em 9 de outubro, conforme análise da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Outros destinos apresentaram desempenho positivo. As exportações para os Estados Unidos chegaram a 44 mil toneladas, ante 8 mil toneladas em setembro do ano anterior. Chile, México e Rússia também contribuíram para o escoamento da produção brasileira.
O preço médio da carne bovina exportada apresentou aumento de 1,9% em setembro, na comparação com agosto. A recuperação ocorreu após a acomodação observada desde julho e ajudou a compensar parcialmente os efeitos da valorização do boi gordo sobre os resultados da indústria frigorífica.
A valorização do mercado físico também se refletiu nos contratos futuros. Os vencimentos a partir de novembro passaram a se aproximar de R$ 400 por arroba, acompanhando as expectativas de oferta restrita e melhora da demanda no último trimestre.
Segundo a avaliação do Itaú BBA, a combinação de disponibilidade mais ajustada de animais, expectativa de retomada das compras chinesas e sazonalidade favorável ao consumo doméstico representa um cenário de sustentação para os preços. A consultoria destaca, contudo, que as cotações elevadas também tornam relevante a gestão dos riscos de comercialização.
Entre os fatores capazes de limitar novas valorizações estão o preço da arroba brasileira, próximo de US$ 75, os valores elevados da carne no mercado internacional e o poder de compra do consumidor doméstico. O comportamento do câmbio também poderá influenciar a competitividade das exportações.
