Custos caem, mas pressão sobre produtor continua
O custo de produção da agropecuária gaúcha recuou 1,24% em junho, segundo o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). Conforme a entidade, o resultado foi impulsionado pela queda do preço do petróleo após o anúncio de cessar-fogo no Oriente Médio e pela retomada das exportações chinesas de Ureia, fatores que reduziram os gastos dos produtores com combustíveis e fertilizantes, insumos que representam parcela importante dos custos de produção.
Enquanto os custos perderam força em junho, os preços recebidos pelos produtores apresentaram comportamento distinto. O Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR), também calculado pela Farsul, avançou apenas 0,19% no mês. Segundo a entidade, o principal fator para essa variação foi a valorização do trigo, reflexo do período de entressafra, quando as negociações diminuem diante da expectativa de redução da produção na safra seguinte.
Na avaliação da Farsul, a diferença entre os indicadores fica ainda mais evidente quando comparada à inflação dos alimentos medida ao consumidor. Enquanto o IIPR acumula queda de 5,79% em 12 meses, o IPCA de Alimentos e Bebidas, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registra alta de 3,82% no mesmo período, acima da variação de 1,50% do IICP. Segundo a Federação, esse descompasso demonstra que a inflação observada nos supermercados não tem origem nos reajustes praticados pelos produtores rurais, mas em fatores presentes nas demais etapas da cadeia, como indústria, logística, varejo e no ambiente macroeconômico.
