segunda-feira, agosto 24, 2026

Plantio de milho após colheita de soja eleva produtividade da oleaginosa, mostra estudo

Plantio de milho após colheita de soja eleva produtividade da oleaginosa, mostra estudo

Produtores que apostam no cultivo de soja seguido do milho em uma mesma safra conseguem mais produtividade na colheita da oleaginosa, mais retorno financeiro e maior resiliência climática em comparação com aqueles que investem apenas no monocultivo da soja. A constatação é de um estudo produzido por Agroicone, Unicamp e Fundação Mato Grosso.

Segundo os autores, a pesquisa constata o que muitos produtores já observavam. Ainda faltava, porém, um embasamento técnico na literatura científica que verificasse o ganho independentemente do clima de cada safra.

“Esse conjunto de dados demonstra que os sistemas de cultivo sequencial melhoram, de forma fundamental, o desempenho agronômico e econômico dos agroecossistemas tropicais, em comparação com a monocultura contínua”, afirma Luciane Chiodi Bachion, líder do estudo, pesquisadora e sócia da Agroicone.


O experimento acompanhou quinze safras consecutivas (2008/09 a 2022/23), em Itiquira (MT), em um solo de clima tropical, com estação seca entre junho e agosto. Cinco sistemas de produção de soja foram cultivados lado a lado, em quatro blocos experimentais repetidos a cada safra, dois de monocultura (plantio direto e convencional) e três de sucessão de culturas (soja seguida por milho, braquiária ou milheto). A soja recebeu a mesma dose de fertilizante em todos os sistemas.

Produtividade

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A pesquisa identificou que os maiores rendimentos foram obtidos nos sistemas de sucessão de culturas. Nas quinze safras, a soja cultivada em sucessão com milho alcançou média de 65,89 sacas por hectare, enquanto a sucessão com braquiária atingiu 66,47 sacas. Já a monocultura apresentou médias inferiores: 52,15 sacas por hectare no plantio direto e 54,36 sacas o hectare no sistema convencional.

“Além da média mais alta, os sistemas de sucessão também oscilaram menos ano a ano ao longo das quinze safras, uma estabilidade que ajuda a proteger o produtor da variação climática entre uma safra e outra”, explica Sofia Arantes, pesquisadora da Agroicone.

Essa diferença entre os sistemas de monocultivo e de sucessão cresceu justamente nos anos mais secos, nas safras 2014/15 e 2020/21. Nesse cenário, a produtividade da soja em monocultura caiu para menos de 20 sacas por hectare em parte dos blocos experimentais, enquanto os sistemas de sucessão sustentaram produtividade próxima de 50 sacas.

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O maior resultado de toda a série histórica analisada também veio de sistemas de sucessão, de 91,74 sacas por hectare no sistema de cultivo de soja seguido de milho na temporada 2018/19.

A mesma dose de fertilizante foi aplicada nos cinco sistemas, o que, segundo os pesquisadores, isola o efeito da sucessão de culturas sobre o custo. O fertilizante responde por 40% do custo de produção da soja, o que pesa na conta final do produtor.

Nas safras de 2009/10 a 2022/23, os sistemas que alternaram produção de soja com braquiária e milho tiveram o menor custo médio com fertilizantes entre todos os sistemas, de US$ 9,25 por saca e US$ 9,28 por saca, respectivamente. Já o custo médio com fertilizante da soja em monocultura com plantio direto foi de US$ 10,22 a saca, e no sistema convencional, de US$ 10,07 por saca. O custo médio atingiu um pico de US$ 16,26 por saca na soja em sistema convencional na temporada 2014/15.

De acordo com Bachion, os cuidados com o solo proporcionados pelas plantas de cobertura elevaram a eficiência no uso de água e nutrientes e aumentaram a produtividade da soja em sucessão. “Mesmo com a aplicação da mesma quantidade de fertilizante, os sistemas diversificados apresentam menor custo por unidade de soja produzida e maior retorno econômico. A combinação desses fatores explica como os sistemas diversificados chegam a custos mais baixos mesmo recebendo a mesma quantidade de fertilizante na fase da soja”, acrescenta.

Rentabilidade

A rentabilidade também foi maior nos sistemas de sucessão. O melhor resultado dentre os cinco sistemas foi observado na integração de soja com milho, com picos acima de US$ 30 por saca nas safras 2011/12, 2020/21 e 2021/22.

Segundo as pesquisadoras, a renda aumenta em decorrência da melhor produtividade da soja e por causa do receita adicional com o milho de segunda safra. Além disso, o cultivo do cereal dilui o custo fixo com maquinário, mão de obra e financiamento da terra.

O estudo também ressalta que o plantio de soja seguido de milho trouxe inúmeros benefícios ao solo, como aumento de matéria orgânica, melhora de infiltração de água, estímulo aos microrganismos benéficos e interrupção do ciclo de pragas e doenças típicas da monocultura.

“Esses benefícios são cumulativos e podem explicar por que os sistemas de sucessão mantiveram produtividades mais altas e estáveis ao longo de quinze anos de experimento”, afirma Luís Guilherme Furlan de Abreu, pesquisador da Unicamp.

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