Área de trigo pode recuar novamente no país
Os preços do trigo registraram alta no mercado brasileiro na semana de 6 a 12 de março, segundo análise divulgada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema). O movimento foi influenciado pela valorização internacional do cereal e pelo encarecimento do produto importado.
O relatório indica que a valorização não foi maior devido ao comportamento do câmbio. Mesmo diante do conflito no Oriente Médio, o dólar permaneceu estável no Brasil, variando entre R$ 5,10 e R$ 5,25. Segundo a análise, um real mais valorizado reduz o custo das importações em moeda nacional.
A consultoria também aponta preocupação com a rentabilidade da cultura. Custos elevados de produção e incertezas climáticas podem levar a uma nova redução da área plantada em 2026 caso os preços não apresentem recuperação.
As primeiras projeções para a safra 2026/27 indicam recuo na produção nacional. A estimativa aponta queda de 14,5%, com volume previsto em 6,8 milhões de toneladas, considerando condições climáticas favoráveis. A área semeada deve alcançar 1,985 milhão de hectares, abaixo dos 2,349 milhões cultivados na safra 2025/26, o que representa redução de 15,5%. A produtividade média nacional está projetada em 3.453 quilos por hectare, ou 57,6 sacas por hectare, ante 3.414 quilos por hectare registrados na safra anterior.
O levantamento também destaca a redução das importações brasileiras de trigo nos últimos meses. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, em fevereiro, o país importou 214,7 mil toneladas do cereal, o menor volume para um único mês em 18 anos. O total ficou 63% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
A menor entrada de produto estrangeiro pode aumentar a liquidez no mercado interno. No início da semana, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), registrou cotação de R$ 1.209,02 por tonelada para o trigo pão ou melhorador no Paraná, alta de 2,6% desde o início do mês. No Rio Grande do Sul, a tonelada do trigo brando foi cotada a R$ 1.091,60, recuo de 0,65% no mesmo período.


