sexta-feira, janeiro 2, 2026

Preços baixos elevam pressão sobre margens para produtores de grãos

Preços baixos elevam pressão sobre margens para produtores de grãos

Agricultores enfrentam também aumento nos custos de produção e custo financeiro historicamente alto

A conjunção entre uma perspectiva de preços menores para a soja em 2026, produtividade menor do que na safra passada e aumento do custo de produção deve determinar a diminuição das margens dos produtores do grão, segundo analistas.

Nas contas de Francisco Carlos Queiroz, analista de grãos da consultoria do Itaú BBA, a margem operacional da soja no Brasil tende a cair 35,6% na safra 2025/26, levando em conta a redução no preço médio da saca de 2,8%, a queda na produtividade de 9% e o aumento no custo de produção de 7,8%.


“Os custos maiores e uma produtividade menor vão levar a essa redução das margens no caso da soja. No caso do milho, tem ainda algumas dúvidas por conta do atraso no plantio da soja. Eventualmente, algumas áreas podem ter mudança na cultura plantada na segunda safra, eventualmente podem mudar para sorgo, até mesmo gergelim”, avalia o analista do Itaú BBA.

Khalil Lima, analista de ações na Reach Capital, ressalta que o balanço global entre estoques de passagem e consumo de soja nesta safra deve ser “bem parecido” com o balanço do ciclo passado, dificultando uma reação dos preços. Além da boa produtividade da colheita obtida nos Estados Unidos, o rendimento no Brasil pode até ser favorecido por um La Niña de intensidade baixa, pondera.

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O único fator que poderia ajudar a oferecer um suporte aos preços da soja é um aumento da mistura de biodiesel de 15% para 16%, mas que ainda não está garantido. “Aí o derivado ganharia um pouco mais de força, porque vai ter que esmagar um pouco mais”, explica o analista.

Já para o milho, os analistas acreditam que os preços podem até ter alguma reação no mercado interno, puxados principalmente pelo crescimento da demanda por parte das usinas de etanol que processam o grão. “Os preços podem ter uma reação a partir do meio do ano, por causa da relação entre estoque e uso”, avalia Manoel Queiroz, sócio da consultoria Mapa Capital.

Ainda assim, as margens da produção do milho também tendem a ser mais apertadas. “A relação de troca do cloreto [de potássio] e do Supersimples está maior”, diz Lima, da Reach Capital.

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Outro fator que deve comprimir as margens dos grãos é o aumento do custo financeiro, principalmente do produtor que fez dívidas para investir nos últimos anos. “As taxas de juros vão consumir boa parte da receita agrícola, e o arrendamento também”, alerta o sócio da Mapa Capital.

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