O mercado internacional de milho atravessa um período de cautela, com preços operando de forma defensiva na Bolsa de Chicago, em meio a ajustes técnicos e incertezas no cenário político e geopolítico. Segundo análise da TF Agroeconômica, esse ambiente é marcado por movimentos laterais, com limites bem definidos e ausência de uma tendência clara no curto prazo, enquanto os agentes aguardam algum fator externo que funcione como gatilho para direcionar as cotações.
A pressão recente está associada, principalmente, à realização de lucros por parte dos fundos, após dois pregões consecutivos de alta, movimento considerado típico em um mercado sem direção definida. Estima-se a venda de cerca de oito mil contratos nesse processo, o que contribui para limitar avanços mais consistentes. Além disso, a incerteza política nos Estados Unidos, somada a ruídos geopolíticos envolvendo países como Irã, Cuba e Canadá, reforça uma postura mais defensiva dos investidores. O risco de uma nova paralisação do governo norte-americano também pesa sobre o apetite ao risco e favorece estratégias mais conservadoras.
Outro fator negativo citado é a frustração do mercado com a exclusão do uso do E-15 ao longo de todo o ano do pacote orçamentário, o que retira um potencial suporte adicional à demanda por milho destinado à produção de etanol. Do ponto de vista técnico, as cotações seguem abaixo de médias consideradas relevantes, fragilizando a possibilidade de uma alta sustentada no curto prazo.
Apesar desse cenário, há elementos que funcionam como suporte importante para os preços. As exportações dos Estados Unidos seguem muito fortes, com volumes 33,26% acima do registrado no mesmo período de 2025, atuando como um piso fundamental para o mercado. Além disso, a situação climática na Argentina adiciona um prêmio de risco às cotações. Embora o plantio esteja praticamente concluído, as condições das lavouras pioraram, com queda nas áreas classificadas como excelentes ou boas e redução significativa na umidade do solo em relação ao ano anterior. A safra argentina ainda depende de chuvas generalizadas em fases críticas, o que faz com que o mercado evite acelerar movimentos de baixa enquanto o clima na América do Sul não se estabiliza.