sexta-feira, junho 19, 2026

Representante da UE diz que há ‘engajamento’ nas negociações sobre exportações de carne ao bloco

Representante da UE diz que há ‘engajamento’ nas negociações sobre exportações de carne ao bloco

O conselheiro da Representação Europeia no Brasil, Damian Lluna, afirmou nesta quinta-feira (18/6) que o novo mecanismo de diálogo criado entre o governo brasileiro e a Comissão Europeia para tentar solucionar o possível bloqueio às exportações de carnes para o bloco sinalizam “engajamento” para reverter a situação.

O mecanismo foi anunciado após conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursuala von der Leyen, durante o encontro do G-7, na França, nesta semana. O possível veto às exportações pode ser aplicado a partir de 3 de setembro porque o Brasil não apresentou as garantias exigidas pelos europeus sobre o controle de uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas.


“Foi definido o novo mecanismo [de diálogo]. Ele sinaliza engajamento claro da parte europeia de trabalhar com Brasil para reverter situação. Esperamos que tudo isso dê certo”, disse Lluna, durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande (MS).

Ele disse que as equipes técnicas em Bruxelas estão “trabalhando intensamente” com o Ministério da Agricultura brasileiro para tratar de reverter a situação.

- Advertisement -

Por outro lado, o conselheiro reforçou que o regulamento de antimicrobianos da União Europeia não é uma novidade.

“Entendemos a preocupação brasileira a respeito da possibilidade de veto imposto a produtos de origem animal, mas o regulamento de antimicrobianos não é novo. A União Europeia tem, desdeo início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022 e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá. Não é questão nova, está há bastante tempo”, destacou.

Lluna lembrou que o acordo Mercosul-UE prevê a criação de um grupo específico de diálogo sobre questão de antimicrobianos. “Na União Europeia, essa é uma questão importante de saúde pública que está no centro das preocupações do consumidor”, reforçou.

- Advertisement -

O conselheiro destacou a importância de o Brasil investir em rastreabilidade para evitar problemas como esse. Ele disse que países vizinhos, e que concorrem com os produtores nacionais, como Uruguai, já fizeram esse dever de casa, mas ponderou que o desafio brasileiro é maior por causa do tamanho do rebanho — quase 200 milhões de cabeças.

“A questão da rastreabilidade é muito importante, é uma questão sobre a qual um investimento maior vai oferecer muitos benefícios (…) É óbvio que o Brasil tem um rebanho e desafio maiores, mas o potencial está associado ao risco. Investimentos tem que ser feitos para isso, reduzir riscos e aproveitar oportunidades”, destacou.

Acordo

O conselheiro europeu ressaltou ainda que o Brasil é um dos principais fornecedores de produtos agrícolas para a União Europeia, a frente dos Estados Unidos, e que o bloco é o principal parceiro comercial do Brasil. Segundo ele, há espaço para incrementar a relação com o acordo de livre comércio com o Mercosul, que entrou em vigor em maio.

“Nesse panorama de guerra e contexto multilateral, diversificação de mercados e autonomia estratégica são palavras presentes em Bruxelas em debate sobre agricultura e que estão por trás dessa negociação [sobre o acordo]”, disse.

Ele ressaltou que há desafios de implementação do acordo, com as cotas e regras de origem. “Acompanhamos a vontade de abertura maior por parte do Mercosul para maior inserção nas cadeias globais de valor. A parte tarifária tem uma negociação complexa, mas conseguiram equilíbrio.”

O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, afirmou que o veto da União Europeia aos produtores de origem animal do Brasil, que pode vigorar a partir de setembro, tem base técnica, mas é reflexo do protecionismo agrícola europeu.

Em conversa com jornalistas nos bastidores do Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande (MS), ele disse que o Brasil tem condições de mostrar que segue as regras, mas que precisa fazer isso logo.

“Temos condição de responder e mostrar com clareza o que tem sido feito no Brasil dentro das regras necessárias. Temos condição de fazer isso. Se vamos fazer ou não, se a União Europeia vai aceitar ou não, nesse prazo estreito que não tem até 3 de setembro, não sei, não sou capaz de responder. Mas é uma questão apenas de tempo. Vamos mostrar que fazemos as coisas certas, e não ter preocupação de demorar para fazer isso aí, e fazer logo essas coisas”, completou.

*O jornalista viaja a convite da JBS

Últimas Notícias

Mais notícias