quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Safra de café 2026/27 deve crescer 10%

Safra de café 2026/27 deve crescer 10%

Avanço será puxado principalmente pelo café arábica

A produção de café no Brasil caminha para um novo ciclo de recuperação em 2026/27, com expectativa de crescimento de 10,1% em relação à temporada anterior. O avanço, estimado pelo Itaú BBA, será puxado principalmente pelo café arábica, cuja produção pode atingir 44,8 milhões de sacas — um salto de 18% frente à safra 2025/26.


O relatório do Itaú BBA destaca que o clima não foi o único fator favorável. A relação de troca entre café e fertilizantes permaneceu positiva ao longo de 2025, incentivando investimentos em tratos culturais. Esse ambiente favoreceu a formação de uma base sólida para o próximo ciclo produtivo, impactando diretamente na produtividade das lavouras.

No mercado, 2025 foi um ano marcado por forte volatilidade. A seca no início do ano elevou os preços, que recuaram com a confirmação de uma safra maior. A imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro voltou a pressionar o mercado para cima, mas os preços cederam novamente com a normalização climática e a melhora na perspectiva da nova safra.

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Mesmo com o crescimento projetado, o início de 2026 será desafiador. A disponibilidade interna de café no Brasil deve continuar restrita até a entrada efetiva da nova safra, principalmente no primeiro trimestre. De acordo com dados do Cecafé, as exportações entre agosto e dezembro de 2025 caíram 23% em relação ao ano anterior, com destaque para os embarques aos EUA, que despencaram 53% durante o período de tarifas extras.

O balanço de oferta e demanda no mercado interno reflete esse cenário. Com estoques finais muito baixos — estimados em apenas 0,5 milhão de sacas ao fim de 2025/26 —, a pressão sobre a nova safra é ainda maior. O consumo doméstico, por sua vez, tende à estabilidade, apesar de sinais de retração pontual devido aos altos preços do produto nos últimos meses.

O cenário para a cafeicultura brasileira em 2026/27 é mais positivo do que nos últimos anos. A recuperação da produção, especialmente do arábica, aliada a uma conjuntura internacional mais estável e à melhora das relações de troca com insumos, oferece um novo fôlego para produtores. No entanto, o mercado permanece sensível a variações climáticas e geopolíticas, exigindo atenção contínua à gestão de risco e estratégias de comercialização.

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