sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Setores do agro que têm negócios com EUA comemoram derrubada do tarifaço

Setores do agro que têm negócios com EUA comemoram derrubada do tarifaço

Representantes de setores do agronegócio que têm negócios com os Estados Unidos avaliaram de forma positiva a decisão da Suprema Corte do país, de considerar ilegal a política tarifária do presidente Donald Trump. A avaliação geral, ainda de forma preliminar, é de que a medida devolve a competitividade aos produtos brasileiros, embora ainda seja preciso esperar como o governo Donald Trump irá reagir.

Por seis votos a três, a maioria dos ministros da Corte dos EUA decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização clara do Congresso. A decisão derruba as tarifas que eram aplicadas desde abril de 2025. O governo americano pode ser obrigado a devolver parte do arrecadado desde então. O valor é estimado em mais de US$ 175 bilhões.


No setor de café, o segmento de café solúvel é o único sujeito à tarifa de 50%. No ano passado, as exportações para o mercado americano caíram 28,2%, para 558,7 mil sacas. Segundo a Abics, no período de vigência do tarifaço, a queda foi de 40%.

Em janeiro de 2026, os embarques de solúvel para os Estados Unidos tiveram retração de 13,7%, para 41,2 mil sacas. Já os embarques de café verde recuaram 46,7% em janeiro deste ano, para 385,8 mil sacas.

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Segundo o Cecafé, entre agosto e novembro, período de vigência do tarifaço sobre o café verde, os embarques aos EUA despencaram 55%. No ano passado, os americanos importaram 5,38 milhões de sacas, com queda de 33,9% em relação a 2024.

Com esse desempenho, os Estados Unidos deixaram de ser o país líder nas compras de café brasileiro, perdendo a primeira posição para a Alemanha.

Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), pontua que ainda é preciso saber como a decisão vai ser cumprida e como o governo de Donald Trump vai agir. Ainda assim, avalia que a derrubada do tarifaço devolve competitividade ao café solúvel brasileiro.

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“Nosso solúvel estava perdendo rapidamente espaço para concorrentes sem taxa ou com taxas menores. É uma boa notícia para o solúvel brasileiro, que poderá voltar a competir no seu maior e mais tradicional mercado”, diz ele.

Carvalhaes acrescenta que as consequências podem ser positivas, especialmente para os produtores de café conilon, que pode recuperar parte das vendas que perdeu por causa da retração nas exportações de café solúvel.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) manifestou em nota posicionamento favorável à decisão da Suprema Corte. Segundo a entidade, “reforça a segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais”.

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, avalia que a decisão da Suprema Corte dos EUA não poderia ser melhor. Ele afirma que o mel brasileiro volta a ficar em uma posição de igualdade em relação aos seus concorrentes.

“A queda das tarifas traz de volta a competitividade do mel brasileiro. Acreditamos que as negociações de compra irão, aos poucos, destravar, com nossos clientes norte-americanos voltando a fazer contratos”, diz.

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBr), Francisco Medeiros, também comemorou a decisão. Segundo ele, para a tilápia brasileira em especial, que tem os Estados Unidos com destino de mais de 90% de seus embarques, a decisão é muito positiva, embora deva-se considerar que não significa que as tarifas vão cair imediatamente.

“Ainda existem os ajustes governamentais e alfandegários que a gente não sabe quanto tempo vai levar. A única certeza é que os 40% não vão se manter. Pode ter até uma outra tarifa menor.”

“Vamos acompanhar porque queremos terminar 2026 como o segundo maior exportador de tilápia para o mercado americanos, projeto que tínhamos para 2025 e foi frustrado pela adoção das tarifas.”

Juliano Kubitza, diretor-geral da Fider Pescados, empresa de Rifaina (SP) que tinha metade do seu faturamento atrelado aos embarques de tilápia para os Estados Unidos, disse que aguarda com receio a ação dos advogados.

“Se as tarifas realmente caírem, será um movimento importante para a produção de tilápia brasileira e um grande alívio para a Fider. Reduzimos os volumes em mais de 50% e estamos vendendo com prejuízo desde que as tarifas entraram em vigor.”

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