O complexo da soja atravessa uma mudança estrutural
O complexo da soja atravessa uma mudança estrutural em sua matriz de demanda, com o setor de energia renovável assumindo um protagonismo inegável na alocação da oferta norte-americana. O relatório de junho do USDA evidenciou como a transição energética está redesenhando os fluxos comerciais, impulsionando o esmagamento interno nos Estados Unidos em detrimento da exportação do grão in natura e do óleo.
Do ponto de vista econômico, esse direcionamento do processamento para o mercado interno possui um custo de oportunidade direto na balança comercial do país. Para acomodar a forte demanda das usinas de biocombustíveis, o USDA reduziu a estimativa de exportação de óleo de soja dos EUA para apenas 1.050 milhões de libras em 2025/26. Na mesma linha, os embarques do grão bruto foram cortados para 1.510 milhões de bushels, movimento justificado pelo ritmo atual apontado nos dados alfandegários norte-americanos. Essa compensação cirúrgica entre o aumento do esmagamento e a contração das exportações manteve os estoques finais americanos estagnados em 340 milhões de bushels para a temporada 2025/26. Para o ciclo seguinte (2026/27), a perspectiva de preços ao produtor foi mantida inalterada em US$ 11,40 por bushel para o grão, com o óleo cotado a 70,00 centavos por libra-peso e o farelo a US$ 310,00 por tonelada curta.
