quarta-feira, janeiro 7, 2026

Tensões entre EUA e Venezuela têm impacto limitado sobre o mercado de fertilizantes

Tensões entre EUA e Venezuela têm impacto limitado sobre o mercado de fertilizantes

Em 2024, cerca de 6% das importações brasileiras de ureia tiveram origem venezuelana

As tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Venezuela, após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por ordem do presidente norte-americano Donald Trump, apresentam baixo potencial de afetar o mercado de fertilizantes, especialmente os nitrogenados. Isso porque a Venezuela tem participação limitada no comércio global de ureia, o que reduz a possibilidade de efeitos estruturais sobre preços e oferta internacional.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado Tomás Pernías, é comum que grandes produtores de petróleo também tenham relevância na produção de fertilizantes nitrogenados, devido ao uso do gás natural, usado na produção e associado à atividade petrolífera.“Rússia, Argélia, Irã e Catar são exemplos dessa correlação. No caso da Venezuela, apesar de ser uma grande produtora de petróleo, sua presença no mercado global de ureia é bastante modesta”, pontua Pernías.


Em 2024, a Venezuela ocupou a 18ª posição entre os principais exportadores mundiais de ureia, com embarques de pouco mais de 560 mil toneladas, volume equivalente à cerca de 1% das exportações globais. No mesmo período, a Rússia, por exemplo, respondeu por aproximadamente 18% do comércio internacional do produto.

Participação no Brasil é limitada

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No caso do Brasil, a participação da Venezuela no fornecimento de ureia é um pouco maior, mas ainda limitada. Em 2024, cerca de 6% das importações brasileiras do fertilizante tiveram origem venezuelana. Entre janeiro e novembro de 2025, essa participação recuou para menos de 5%.

As principais origens da ureia importada pelo Brasil em 2025 foram Nigéria, Rússia e Catar, com 23%, 16% e 15%, respectivamente, segundo dados da consultoria. Segundo o analista, os dados indicam a diversidade de fornecedores e menor concentração em um único país.

Desta forma, segundo Pernías, não há, até o momento, indícios de impactos diretos sobre a capacidade produtiva ou exportadora de fertilizantes da Venezuela. “O que o mercado observa, por ora, são pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de fretes marítimos mais elevados em função do aumento das incertezas na região”, disse.

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