O mercado internacional do trigo encerrou a quarta-feira com comportamento misto nas principais bolsas, em um cenário marcado por ajustes técnicos e mudanças nas perspectivas de oferta. Segundo análise da TF Agroeconômica, os investidores reagiram principalmente à melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e a questões logísticas envolvendo a Rússia.
Na Bolsa de Chicago, o contrato de março do trigo brando SRW recuou 0,31%, ou 1,75 cent por bushel, fechando a 565,75 centavos de dólar. O vencimento maio caiu 0,61%, a 569,75 centavos. Em Kansas, o trigo duro HRW para março também registrou baixa de 0,32%, encerrando a 552,50 centavos por bushel. Em sentido oposto, o trigo HRS de primavera, negociado em Minneapolis, subiu 0,69%, com valorização de 4,00 centavos, para 583,50 centavos. Na Europa, o contrato de março do trigo para moagem na Euronext, em Paris, terminou o dia com queda de 1,15%, a 193 euros por tonelada.
De acordo com a TF Agroeconômica, Chicago e Kansas completaram o terceiro pregão consecutivo de perdas. O mercado deixou em segundo plano a desvalorização do dólar e concentrou suas atenções na previsão de chuvas acima da média nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, fator que melhora as condições das lavouras de inverno e reduz preocupações imediatas com a oferta.
No cenário internacional, a consultoria russa SovEcon revisou para baixo as exportações da safra atual, mas elevou a projeção para 2026/27. A avaliação sinaliza que, apesar de ajustes pontuais e da perda momentânea de competitividade frente ao trigo europeu, a oferta global tende a permanecer elevada. Além disso, a logística de inverno no Mar Negro tem dificultado os embarques russos, abrindo espaço para a valorização do trigo de primavera de Minneapolis, variedade que concorre diretamente com o produto russo no mercado internacional.