quarta-feira, junho 24, 2026

Um minikiwi satisfaz muita gente: frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

Um minikiwi satisfaz muita gente: frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

A mudança do perfil dos lares brasileiros, com famílias menores, rotina acelerada e muitas pessoas vivendo sozinhas, tem mudado o perfil de consumo em diferentes segmentos. A transformação não se restringe à diminuição dos volumes de compras: no caso das frutas, a mudança tem sido sinônimo, também, de “encolhimento” dos produtos.

Versões em miniatura de frutas como kiwi, pera, maçã, banana-ouro e laranja kinkan são um dos reflexos do novo perfil demográfico do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um de cada cinco domicílios no país tem só um morador, e, nesta década, as famílias compostas por casais com filhos passaram a representar, pela primeira vez, menos da metade do total de famílias do país: a fatia, que era de 56,4% em 2000, passou a ser de 42% em 2022.


No Viveiro Frutopia, de São Bento do Sapucaí, município paulista localizado na Serra da Mantiqueira, o produtor Rodrigo Veraldi iniciou no Brasil o plantio de minikiwis (Actnidia arguta), versão da fruta que se diferencia do kiwi mais conhecido (Actnidia deliciosa) por ser do tamanho de um grão de uva. Além disso, como a casca do minikiwi não tem pêlos e é mais fina, é possível provar a fruta sem descascá-la.

Veraldi relata que os primeiros minikiwis entraram no Brasil há mais de dez anos, importados por produtores que traziam kiwis tradicionais ao país. Hoje, é proibido importar a variedade arguta, o que levou o produtor a dar início a um trabalho para adaptar a variedade ao Brasil. O projeto começou em 2015.

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A produção tornou-se possível quando Veraldi teve acesso a sementes da fruta. Agora, afirma ele, existe uma demanda crescente por mudas e sementes.

“Os produtores de kiwi estão em lista de espera pelas mudas”, diz.

Segundo ele, a comercialização das mudas começará assim que terminar a última etapa de análise laboratorial das plantas.

O produtor Rodrigo Veraldi, do Viveiro Frutopia, iniciou no Brasil o plantio de minikiwis , versão da fruta que se diferencia do kiwi mais conhecido por ser do tamanho de um grão de uva — Foto: Divulgação/Viveiro Frutopia
O produtor Rodrigo Veraldi, do Viveiro Frutopia, iniciou no Brasil o plantio de minikiwis , versão da fruta que se diferencia do kiwi mais conhecido por ser do tamanho de um grão de uva — Foto: Divulgação/Viveiro Frutopia

Há 16 anos, a produtora Rafaella Mourinho, de Jaíba (MG), cultiva 8 hectares de banana-ouro, uma fruta pequena e extremamente doce. A variedade está no cotidiano de muitos brasileiros há décadas, mas, segundo a agricultora, o aumento da demanda se acentuou nos últimos quatro anos.

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Em comparação com as bananas prata e nanica, a ouro ainda é um produto de nicho. Isso vale também para as versões mini de outras frutas: elas ainda representam uma pequena parcela da fruticultura nacional, o que não as impede de abrir novas oportunidades para produtores rurais interessados em nichos de alto valor agregado.

Disponíveis em feiras especializadas, empórios, supermercados premium e restaurantes, essas variedades refletem uma tendência internacional de valorização de alimentos com forte apelo estético.

“Com lares menores, rotina acelerada e mais preocupação com a saúde, cresce a demanda por alimentos fáceis de consumir, que reduzem o desperdício e têm apresentação atrativa”, resume a economista Marcela Cerrado. “As minifrutas atendem exatamente essa expectativa.”

No caso de minimaçãs e miniperas, parte das opções disponíveis no mercado é de variedades naturalmente menores, mas outra parcela é resultado de estratégias agronômicas específicas, como seleção varietal, manejo de poda e controle da carga produtiva.

A Garden Fruit, empresa de Jundiaí (SP) que atua na importação de frutas frescas, comercializa minimaçãs cultivadas em Portugal, miniperas espanholas e portuguesas e minitangerinas chilenas, uruguaias e espanholas. A composição do portfólio, segundo a empresa, é resultado de pesquisa global de tendências de mercado.

“Um ponto importante é a necessidade de investimento em pós-colheita e logística. Por serem comercializadas como produtos premium, aparência, padronização e conservação tornam-se fatores decisivos para a aceitação do mercado”, afirma Gustavo Steck, gerente de pesquisa da Garden Fruit.

De produtores brasileiros, a empresa compra maçãs menores, de diferentes variedades. As embalagens exibem, sob acordo de licenciamento, personagens da Disney, com apelo ao público infantil.

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