Na comparação com o mesmo período de 2025, os embarques cresceram 9,4%
Santa Catarina faturou US$1,15 bilhão com as exportações de carne de frango entre janeiro e maio de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica, em 1997. No mesmo intervalo, o estado embarcou 543,1 mil toneladas do produto, mantendo o desempenho do setor avícola em patamar elevado no mercado internacional, impulsionado pela demanda externa e pela valorização dos preços médios. Os dados constam no Boletim Agropecuário de junho de 2026, publicado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri(Cepa).
O analista da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, explica que os bons resultados das exportações de carne de frango de Santa Catarina estão associados a três pilares principais. O primeiro é o elevado padrão sanitário da avicultura catarinense, reconhecido há mais de duas décadas, que garante acesso a mercados rigorosos como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Outro fator é a diversificação dos destinos, estratégia que reduz a exposição do setor a problemas localizados, além da competitividade do modelo produtivo baseado na integração entre indústria e produtores, com forte presença da agricultura familiar.
“Esses resultados refletem uma combinação de excelência sanitária, pulverização das exportações por diferentes regiões do mundo e um modelo de produção integrado, que assegura planejamento, eficiência e competitividade à avicultura catarinense, especialmente pela participação da agricultura familiar na base da cadeia”, destacou Giehl.
O destaque do ano foi o mês de maio, quando Santa Catarina embarcou 113,9 mil toneladas, com receitas de US$247,1 milhões. O resultado representa o melhor desempenho mensal desde dezembro de 2018, refletindo a recuperação de mercados estratégicos e uma base de comparação mais baixa em 2025, impactada por restrições sanitárias pontuais em outros estados produtores.
Análises da Epagri/Cepa mostram que a expansão das exportações ao longo de 2026 foi sustentada pela recomposição da demanda internacional, especialmente em países do Oriente Médio e da Ásia. No acumulado do ano, Países Baixos, Japão, China e Arábia Saudita lideraram as compras da carne de frango catarinense, concentrando parcela significativa das receitas externas do setor.
Os dados oficiais do comércio exterior, consolidados pela MDIC/Comex Stat, indicam que o bom desempenho ocorre mesmo em um cenário de maior rigor sanitário e de reconfiguração dos fluxos globais de proteína animal. Com isso, Santa Catarina amplia sua relevância como fornecedor internacional e fortalece a posição do complexo avícola como um dos principais motores do agronegócio estadual.
O resultado histórico em valor e o elevado volume exportado reforçam a competitividade da cadeia produtiva catarinense e apontam para um ano de referência para o setor, com impactos positivos sobre produção, renda e geração de divisas para a economia do estado.
No vídeo, Alexandre Luís Giehl, analista da Epagri/Cepa, analisa os riscos e as oportunidades que se desenham para a avicultura catarinense após o estado alcançar o maior valor desde 1997, com base em dados do Observatório Agro Catarinense.
O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link. Confira os destaques das principais culturas do agro de Santa Catarina presentes no Boletim Agropecuário de junho de 2026:
Nos primeiros dez dias de junho, o mercado de arroz manteve a trajetória de queda nos preços iniciada em maio. Em Santa Catarina, a redução foi de 4,6%, com a saca de 50 quilos cotada, em média, a R$ 53,69. No Rio Grande do Sul, a queda foi de 2,9%. O recuo é explicado pela baixa liquidez no mercado interno. Produtores seguem resistentes em vender aos preços atuais, considerados insuficientes para cobrir os custos de produção.
Além disso, o fim da colheita aumentou a oferta do grão, pressionando as cotações. No comércio exterior, o cenário é mais favorável. Entre janeiro e maio de 2026, o valor das exportações cresceu mais de 120% em relação ao mesmo período do ano passado. Em Santa Catarina, a colheita está encerrada, com produção estimada em 1,26 milhão de toneladas, apesar de leve redução de área e produtividade.
Em maio, os preços do feijão seguiram em alta em Santa Catarina. O feijão-carioca subiu quase 8% e fechou o mês próximo de 280 reais a saca de 60 quilos. Já o feijão-preto teve valorização ainda maior, acima de 8,5%, com a saca cotada em torno de 173 reais. A principal explicação é a oferta reduzida no mercado nacional. Mesmo com preços firmes, a produção estadual enfrenta retração.
