quarta-feira, julho 22, 2026

Brasil atingiu quase 80% da cota de exportação de carne bovina à China

Brasil atingiu quase 80% da cota de exportação de carne bovina à China

O Brasil atingiu 78,86% da cota de exportação de carne bovina para a China até junho, segundo dados divulgados na segunda-feira (20/7) pelo governo chinês. Exportadores e analistas avaliam que a cota está “virtualmente preenchida”.

Os dados divulgados pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) e pelo Ministério do Comércio (Mofcom) consideram que entraram no país 872,2 mil toneladas de carne bovina in natura importadas do Brasil no primeiro semestre deste ano. Em junho, a importação internalizada foi de 148,7 mil toneladas.


A cota é de 1,106 milhão de toneladas com tarifa de 12%. O que entrar acima desse volume pagará sobretaxa de 55% ou estará sujeito a devoluções ou postergamento do desembaraço.

Há um descompasso entre o que foi embarcado no Brasil e o que chegou na China em 2026. As exportações deste ano, por exemplo, registradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam para 774,1 mil toneladas. Os chineses consideram cargas enviadas nos últimos meses de 2025 e que foram internalizadas a partir de 1º de janeiro deste ano.

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Os exportadores brasileiros consideram que 227,7 mil toneladas já embarcadas ainda estão em trânsito e não chegaram à China. Com isso, o “saldo livre” de cota a ser utilizado seria de quase 5,9 mil toneladas.

Mesmo assim, todos os frigoríficos com habilitação para a China já adotaram medidas para adequar a produção e a exportação ao país, como diminuição dos abates, concessão de férias coletivas e até demissões.

A produção de cortes específicos para a China foi interrompida no fim de junho. Em julho, poucos embarques devem ser realizados para lá, por conta do risco de as cargas chegarem fora da cota.

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A expectativa é que a China anuncie ainda nesta semana o preenchimento de 80% da cota brasileira e que os 100% sejam atingidos em agosto.

Na semana passada, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, estimou que as exportações brasileiras para o seu principal mercado ficarão próximas de 900 mil toneladas em 2026, devido à utilização da totalidade da cota. A produção deverá ser retomada em outubro e os embarques em meados de novembro, para ocupar a cota de 2027.

Há um estranhamento no mercado sobre o ritmo de internalização das cargas na China. Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras e Mercado, disse que pelo ritmo de exportação o Brasil já deveria ter atingido os 80% há algum tempo. “Ou a logística está demorando mais que o previsto ou a própria alfândega chinesa está demorando muito para fazer os trâmites para liberar o produto”, afirmou.

As exportações de outros países, como Nova Zelândia, Estados Unidos e Uruguai, permanecem em ritmo lento e podem não preencher toda a cota que cada nação tem para 2026.

As vendas americanas estão praticamente zeradas. Foram apenas 876 toneladas de janeiro a junho, equivalente a 0,53% da cota de 164 mil toneladas.

Os neozelandeses venderam 59,5 mil toneladas, cerca de 29% da cota de 206 mil toneladas. Já os uruguaios exportaram 82,3 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, 25,4% do volume total de 324 mil toneladas autorizado pela China.

A Austrália já ultrapassou a cota de 205 mil toneladas, segundo os dados do GACC e do Mofcom. Foram internalizadas na China 588 toneladas extra cota.

A Safras e Mercado analisou que os dados de importação da China em junho já mostram uma aceleração das vendas da Nova Zelândia e afirmou que movimento semelhante poderá ocorrer com Argentina e Uruguai após o esgotamento da cota brasileira de carne bovina. A Argentina exportou 239,5 mil toneladas, cerca de 47% da cota de 511 mil toneladas.

“Os dados das exportações brasileiras de julho serão fundamentais para compreender como os embarques se comportarão nesse novo cenário. A notícia positiva está no avanço da demanda dos Estados Unidos, de Hong Kong, do Uruguai e da Argentina. No caso dos três últimos destinos, o aumento das compras pode representar indícios de triangulação comercial para que o produto alcance indiretamente o mercado chinês”, afirmou a consultoria em análise compartilhada com a imprensa.

Ao todo, a China importou 1,5 milhão de toneladas de carne bovina in natura de janeiro a junho deste ano de diversos fornecedores, o equivalente a 56,9% da cota de 2,6 milhões estabelecida pelo país para seus diversos fornecedores neste ano.

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