Evento reuniu empresários de 21 frigoríficos brasileiros que exportam carne para a China e representantes de 50 companhias importadoras
Exportadores brasileiros e importadores chineses de carne bovina reforçaram, nesta quinta-feira (14/5), a importância da relação comercial entre os dois países e sinalizaram que há espaço para expandir os negócios, mesmo diante das incertezas do mercado por conta da cota estabelecida pelo governo da China a partir deste ano.
Durante o evento The Beef and Road, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em Chongqing, no sudoeste da China, os dois lados se mostraram otimistas e disseram que há oportunidades para aumentar as negociações.
O Brasil reafirmou sua capacidade de produção para pronto atendimento à demanda crescente da China. Já os chineses elogiaram a qualidade do produto brasileiro, ressaltaram que o consumo está em expansão e que o atendimento à demanda depende de um fornecedor estratégico e confiável.
O evento reuniu empresários de 21 frigoríficos brasileiros que exportam carne para a China e representantes de 50 companhias importadoras. As empresas são, na maioria, traders, que compram o produto brasileiro e revendem para as indústrias locais. Um balanço oficial dos negócios prospectando nas rodadas entre vendedores e compradores será divulgado em breve pela Abiec.
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“Essa é uma iniciativa que simboliza não apenas a força da carne bovina brasileira no mercado chinês, mas principalmente a construção de uma parceria sólida, estratégica e de longo prazo entre Brasil e China”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec, durante a abertura do evento.
Segundo ele, a presença maciça de exportadores demonstrou o compromisso da indústria brasileira em ampliar relações, gerar negócios e fortalecer a conexão com o mercado chinês, mesmo diante de limitações legais e tarifárias.
No fim de semana, o Ministério do Comércio chinês (Mofcom, na sigla em inglês) anunciou que o Brasil já preencheu 50% da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina prevista para esse ano. Quando atingir os 100%, as exportações serão tarifadas em 55%.
Perosa ressaltou, no entanto, que a parceria com a China vai “além dos números”. É construída com “confiança, previsibilidade, qualidade e diálogo permanente”. Ele destacou também que o evento possibilita aos frigoríficos brasileiros captarem novos clientes para negócios futuros. Com a iminência da ocupação da cota, por exemplo, alguns contatos já prospectam vendas para o último trimestre do ano, quando os abatedouros retomarão embarques dentro do volume autorizado para 2027.
Visão dos chineses
Zhang Kui, inspetor de segundo nível da Comissão Municipal de Comércio de Chongqing, disse que a escolha da cidade para o evento “é um reconhecimento em relação ao nível de abertura e à capacidade de consumo”.
“Acreditamos que Chongqing pode servir como polo industrial importante para a inspeção da rota de carne bovina brasileira na China”, afirmou.
Mark Zang, CEO da JinShangXu International, uma das principais tradings importadoras de carne bovina brasileira de Chongqing, ressaltou que o comércio global da proteína passa por uma reestruturação, mas que o Brasil manterá sua posição de competitividade nas vendas para a China. A família Zang foi pioneira na importação de carne nessa região do país.
Ele comentou o desafio do cumprimento da cota a partir deste ano e citou até a possibilidade de retorno dos Estados Unidos ao fornecimento da proteína aos chineses.
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Para Zang, o eventual retorno dos EUA “não altera o papel estratégico da carne brasileira no mercado chinês”. Segundo ele, a liderança do país na produção e exportação da proteína reflete “vantagens estruturais de longo prazo do Brasil”, disse.
“Na indústria de carne, a liderança permanece a quem é capaz de fornecer de forma estável, rastreável e sustentável no longo prazo”, reforçou. “Por isso, o Brasil representa a parceria mais estratégica da China na importação de carne bovina”, concluiu.
Promoção e resultados
Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), lembrou que o embarque de carne bovina do Brasil para a China passou de 100 mil toneladas há 10 anos para quase 1,7 milhão de toneladas em 2025.
“Temos uma relação muito privilegiada com a China, mas sabemos dos desafios e da complexidade dessa relação. A China consome 11 milhões de toneladas de carne bovina e produz 8 milhões de toneladas. O Brasil vai continuar sendo parceiro estratégico da China na segurança alimentar”, disse.
Segundo ele, o Brasil manterá o padrão de qualidade, a estabilidade no fornecimento, a capacidade de resposta e a escala de produção para ser um “parceiro estável”. “Ouvimos dos próprios chineses que Brasil e China estão no melhor momento da relação bilateral”, acrescentou.
*O jornalista viaja a convite da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes)
