sábado, outubro 24, 2026

Importação de trigo pode chegar a 10 milhões de toneladas em 2027

Importação de trigo pode chegar a 10 milhões de toneladas em 2027

Produção brasileira de trigo deve atender apenas 36% do consumo

          A importação brasileira de trigo pode chegar a 10 milhões de toneladas em 2027, diante da redução da produção nacional e das preocupações com a qualidade do cereal. O cenário foi debatido durante o último dia do 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), no Rio de Janeiro (RJ).


A Argentina deve permanecer como principal fornecedora de trigo para o mercado brasileiro. No cenário internacional, o conflito na região do Mar Negro continua entre os principais fatores de incerteza para o setor.

O especialista em mercado de trigo, Elcio Bento, alertou para os impactos da queda da produção nacional sobre o abastecimento interno. Segundo os dados apresentados durante o congresso, a produção brasileira está estimada em 5,12 milhões de toneladas, uma redução de 37% em relação ao período de referência informado. Esse volume seria suficiente para atender cerca de 36% do consumo nacional, ampliando a necessidade de compras no mercado externo.

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Além da quantidade produzida, a qualidade do cereal disponível também preocupa. Em São Paulo, a estimativa é de que apenas 70 mil a 80 mil toneladas da produção sejam classificadas como trigo Tipo 1. No Paraná, onde aproximadamente 70% da colheita havia sido realizada no momento da análise, o volume de trigo Tipo 1 foi estimado entre 500 mil e 600 mil toneladas.

No Rio Grande do Sul, o excedente estimado em 4,07 milhões de toneladas se aproxima do equilíbrio entre oferta e demanda, segundo os dados apresentados pelo especialista.

Nesse contexto, a logística e a eficiência industrial ganham importância para a operação dos moinhos, especialmente diante da maior necessidade de receber trigo importado e processar cereais nacionais com características heterogêneas. “A logística favorecerá os moinhos bem-posicionados e preparados para receber o trigo importado. Já a moagem de trigos nacionais heterogêneos exigirá maior eficiência”, afirmou Bento.

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A situação do Rio Grande do Sul foi detalhada por Índio Brasil dos Santos, sócio da Solo Corretora de Cereais. Segundo ele, o desempenho da safra de 2026 foi afetado por fatores como menor investimento, perfilhamento reduzido e dificuldades nos tratos culturais.

O perfilhamento menor foi associado às condições de adubação e luminosidade, enquanto o clima impôs obstáculos em diferentes etapas do ciclo das lavouras. “As condições climáticas impuseram desafios durante o ciclo. Julho foi marcado por chuvas e umidade, com muitos dias encobertos. Em agosto, frio e precipitações ocorreram no início e no fim do mês. Setembro registrou chuva acima da média, poucos dias de sol e geada em 7 de setembro. Em outubro, as precipitações acima da média se alternaram com períodos de abertura de sol”, detalhou Santos.

Diante da menor produção brasileira e das preocupações com a qualidade do cereal, a necessidade de importação, a capacidade portuária e a eficiência dos moinhos estão entre os principais pontos de atenção para o abastecimento de trigo no fim de 2026 e ao longo de 2027.

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