CEEMA aponta recuperação nas cotações externas
O mercado do milho teve reação em Chicago durante a semana, mas o cenário interno ainda é marcado por cautela. Segundo a CEEMA, o bushel para o primeiro mês chegou a US$ 4,77 no dia 18 de maio, a melhor cotação desde 25 de abril de 2025. Depois, o preço recuou e fechou a quinta-feira (21) em US$ 4,62 por bushel, ainda acima dos US$ 4,51 registrados uma semana antes.
No Brasil, os preços permaneceram relativamente estáveis. A CEEMA informa que as principais praças do Rio Grande do Sul seguiram praticando R$ 57,00 por saco, enquanto, no restante do país, os valores oscilaram entre R$ 46,00 e R$ 62,00 por saco. Entre as referências do relatório estão R$ 65,00 CIF no Porto de Santos, R$ 68,00 CIF no Porto de Paranaguá, R$ 58,00 em Rio do Sul (SC), R$ 54,00 em Marechal Cândido Rondon (PR), R$ 46,00 em Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 66,00 CIF em Campinas (SP).
Apesar da melhora pontual em algumas regiões, a CEEMA alerta que os preços do milho ainda estão distantes de compensar os custos totais de produção na maior parte das praças nacionais. Esse é o principal ponto de pressão para produtores que precisam decidir entre vender, armazenar ou aguardar uma recuperação mais consistente do mercado.
O relatório também cita a estimativa da Conab, que reduziu em um milhão de toneladas a expectativa de produção nacional de milho para este ano. A projeção passou para 140,2 milhões de toneladas, ante 141,2 milhões de toneladas no ano anterior. Mesmo assim, a CEEMA avalia que a produção nacional será expressiva, o que mantém compradores em posição defensiva, à espera de preços mais baixos com a entrada mais forte da safrinha a partir de julho.
O maior avanço ocorreu na safra de verão, com crescimento de 14,1% em relação ao ano anterior, chegando a 28,5 milhões de toneladas. A segunda safra foi estimada em 108,4 milhões de toneladas, volume que supera muitas projeções privadas, mas fica 4,2% abaixo das 113,2 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. A terceira safra deve alcançar 3,25 milhões de toneladas, com alta de 8,7%.
Etanol de milho ganha importância no setor
A CEEMA também destaca o avanço estrutural da produção de milho no Brasil nas últimas cinco décadas. O relatório aponta que, na década de 1970, a produtividade média do cereal ficava próxima de 30 sacos por hectare. Hoje, em muitos casos, esse patamar chega a 200 sacos por hectare. No período, a produção cresceu 500%, enquanto a área semeada aumentou 80%.
O crescimento do etanol de milho aparece como fator importante para sustentar a expansão da cultura. Segundo a análise, nas regiões onde há duas safras do cereal, o milho contribui para diluir o custo fixo da propriedade e ampliar a viabilidade do negócio. Ainda assim, a safra 2026/27 deve ser desafiadora, com aumento dos custos de produção, incertezas externas, oscilações climáticas e dificuldades ligadas ao financiamento.
O relatório cita que menos de 20% do financiamento para o milho vem de custeio do Tesouro Nacional. Além disso, os produtores enfrentam endividamento elevado, sendo um terço desse passivo junto aos bancos. A avaliação mencionada no documento é de que, embora os agentes financeiros tenham recursos para emprestar, os juros cobrados em diversas regiões do país, na casa de 18%, tornam a tomada de crédito um ponto crítico para o setor.
Na prática, a reação em Chicago melhora o ambiente externo, mas não elimina o aperto no mercado doméstico. Para o produtor, a decisão comercial segue dependente da necessidade de caixa, da capacidade de armazenagem, do custo financeiro e do comportamento da safrinha a partir de julho.
