USDA reforça cenário de queda para o café
Os preços do café registraram forte queda nas bolsas internacionais na última semana, pressionados principalmente pelas perspectivas de uma safra recorde no Brasil e pelo aumento da oferta global. A avaliação é de Leonardo Rossetti, especialista em inteligência de mercado da StoneX, que aponta um cenário de maior disponibilidade do produto nos próximos meses.
Apesar de a colheita ainda avançar em ritmo inferior ao esperado, os trabalhos vêm ganhando velocidade. De acordo com levantamento da StoneX, a colheita do café arábica alcançou 23% da área cultivada até o fim da última semana, ante 16% registrados na semana anterior. No caso do café conilon, os trabalhos chegaram a 42% da área, acima dos 33% observados anteriormente.
Além do aumento esperado na produção brasileira, a recuperação da safra colombiana em maio também contribuiu para a pressão sobre as cotações internacionais, ampliando as expectativas de oferta no mercado mundial.
Rossetti observa que os contratos chegaram a ensaiar uma recuperação no início desta semana, mas encerraram o pregão novamente em leve queda. “Do ponto de vista técnico, o mercado apresenta sinais de sobrevenda, o que pode abrir espaço para correções pontuais nos próximos dias. No entanto, os fundamentos continuam baixistas e não há, neste momento, uma resistência técnica relevante que impeça novos testes de preços mais baixos”, explicou.
Para as próximas semanas, o mercado continuará atento às condições climáticas nas regiões produtoras de café arábica durante o inverno brasileiro. “Eventuais registros próximos de 5°C podem provocar volatilidade nas cotações. Além disso, permanece o acompanhamento das condições climáticas relacionadas ao La Niña, especialmente entre agosto e setembro, período que antecede a florada. Por ora, porém, os indicativos apontam para um fenômeno de baixa intensidade e sem impactos significativos sobre a produção brasileira”, concluiu.
